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Carmen Miranda, minha quase madrinha | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Estou lendo o esplêndido livro de meu querido Ruy Castro, biografando desta vez nossa Carmen Miranda, a Pequena Notável. Incrível, em primeiro lugar, o trabalho de pesquisa do Ruy, a precisão, o não deixar pergunta sem resposta, a velocidade do texto (amaciando quando é para ser, disparando na hora certa), mas isso tudo vocês já sabem, todo mundo – e espero que tenha sido todo mundo – notou e a outra parte resenhou e divulgou. O Brasil encerra o ano lendo bem. Mas eu que sou chato e metido, lamento que o Ruy não tenha me dado uma e-mailada perguntando qualquer coisa sobre Carmen. É, Carmen. Peguei intimidade. Também, como poderia ele adivinhar que ela quase me batizou? Lá vai o adendo para futuras edições: Nova York, 1942. Meu pai e minha mãe trabalhando para o Coordenador de Assuntos Interamericanos, aquele da política da “boa vizinhança”. A colônia brasileira, apenas um punhado de gente então, se via e revia. Estávamos na casa de Francisco da Silva Júnior, que, entre outras coisas, legendava e dava títulos a filmes. Presentes, entre outros, Luiz Jatobá, Raymundo Magalhães Júnior e não sei mais quem. Carmen Miranda no meio. Talvez entre um filme e um show. Acertou o papo com minha mãe, Elsie Lessa. Lembro-me de ouvir a ela, Carmen, se referindo muito à “Portuguesa”. Era como ela chamava a mãe, Maria Emília. Entre um tic-tac e um chica-chica-boom, não é que descobriram que eu e a estrela tínhamos no olho esquerdo, no canto inferior da córnea, uma pequena pinta? Some-se a isso ao espanto que a Pequena Notável (não há outra alcunha amiga?) teve quando ficou me sabendo pagão, ou seja, não batizado. Cismou porque cismou de me batizar ali por perto mesmo, na Igreja de Saint Patrick, na Quinta Avenida. Carmen Miranda morreu de pena de mim, candidato a limbo garantido. Os detalhes quem me deu foi minha mãe. Eu guardei apenas a lembrança de uma moça vistosa, sem pintura na cara, muito falastrona e simpática. Ah, se eu soubesse que ela era “assim” com a Betty Grable! Essa sim eu queria para madrinha, ou o que mais fosse. Fim da história. Continuei e continuo pagão. A pinta no olho, essa sumiu. Como somem tantas coisas na vida. |
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