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Para investidores, "Lula sem Palocci" é menos atraente em 2006 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma possível saída do cargo do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, deve causar uma certa turbulência entre os investidores internacionais, mas o efeito deve ir além e afetar o apoio a um segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Um segundo mandato sem o ministro Palocci é bem menos atraente do que um segundo mandato com Palocci, onde se sabia qual seria a política macroeconômica", afirmou o economista Paulo Vieira da Cunha, economista-chefe para América Latina do banco HSBC. Ele diz que existe um entendimento, entre os investidores estrangeiros, de que a política macroeconômica é determinada pelo presidente e portanto a austeridade fiscal deve se manter mesmo sem Palocci. "A idéia de que era muito importante manter o ministro está mudando", avalia. Ainda assim, ele diz que a possibilidade de saída de Palocci, que cresceu nas últimas semanas, criou um novo cenário para o próximo ano. "A percepção é que, embora Lula não tenha feito nada em outras áreas, pelo menos a economia estava indo bem. Sem o Palocci, isso pode mudar", afirmou Vieira da Cunha. Investidores estrangeiros que investem em papéis do governo, de 30 anos, estão preocupados com apenas alguns aspectos da economia, lembra ele, "como a capacidade do governo de pagar juros, que por sua vez está ligada à capacidade de crescimento da economia". 'Habilidade política' O economista Nuno Camara, responsável pela área da América Latina do banco de investimentos Dresdner Kleinwort Wasserstein (DRKW), em Nova York, diz que até agora os boatos sobre a possível saída de Palocci têm tido pouca repercussão entre os investidores, mas ele acha que o mercado está subestimando o impacto da mudança. "Vai ser difícil encontrar uma pessoa que esteja comprometida com as políticas macroeconômicas sensatas e ao mesmo tempo tenha a habilidade política do ministro Palocci", diz. Ele não acha, no entanto, que a mudança no Ministério signifique necessariamente uma mudança de rumo na economia. A antecipação para esta quarta-feira do depoimento do ministro da Fazenda na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado foi bem recebida no mercado. "É uma ótima notícia, porque acaba com a incerteza dos dois lados e é melhor para a economia também. Mais uma vez o ministro deu um passo à frente, e muito positivo", disse Camara. O estrategista de moedas estrangeiras do banco ABN-Amro em Chicago, Greg Anderson, diz que existe "uma certa preocupação" no mercado de que o presidente Lula pode mudar a política econômica se houver uma mudança na Fazenda. Ele disse que o mercado estava tranqüilo nesta terça-feira e que só espera uma reação se a mudança se concretizar. Apesar do elevado superávit primário, em torno de 5% nos últimos 12 meses, Anderson diz que não vê um colchão para acomodar um eventual relaxamento da política fiscal. "O que importa é que, embora tenha diminuído, a dívida continua elevada e o trabalho tem que continuar", afirma. |
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