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Migração pode aumentar PIB mundial em 0,6%, diz Bird | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O aumento da força de trabalho em 3% nos países desenvolvidos por meio da migração internacional pode elevar o PIB mundial em 0,6% nos próximos 20 anos, de acordo com um estudo do Banco Mundial sobre o efeito econômico da migração internacional. "Estes ganhos são muito superiores, por exemplo, aos obtidos com abertura comercial", diz o economista Dilip Rhata, um dos autores do estudo divulgado nesta quarta-feira. "O estudo diz que esse movimento de pessoas produziria um volume de recursos equivalente a US$ 356 bilhões, dos quais US$ 162 bilhões iriam para os próprios migrantes, US$ 143 bilhões para os países em desenvolvimento e US$ 51 bilhões para os países desenvolvidos. "A migração traz benefícios significativos. Mas estes benefícios tendem a ser minimizados na discussão política sobre migração", diz Ratha. Entrada de imigrantes Ele explica que o estudo analisou os efeitos puramente econômicos do movimento de pessoas, sem levar em conta as resistências que existem hoje em boa parte do países desenvolvidos para permitir a entrada de imigrantes. Ele rejeita a tese dos que se opõem à imigração de que os novos imigrantes tiram empregos da população local. "Os estudos mostram que isso não acontece, porque a população local normalmente tem mais capital e se beneficia dos trabalhadores estrangeiros", diz o economista. O cálculo do Banco Mundial é baseado nos efeitos do movimento migratório dos últimos 30 anos. Entre 1970 e 2000, a parcela da população nascida no exterior nos países desenvolvidos aumentou de 4,3% para 8,3%. Nos países em desenvolvimento, a proporção de imigrantes é muito menor, e mudou pouco: de 1,6% em 1970 para 1,8% em 2000. O número de imigrantes em todo o mundo é estimado em 200 milhões. Especialistas prevêem que este número deve continuar crescendo para atender à pressão econômica tanto do lado da oferta como da demanda. "De um lado a oferta aumenta porque muitos países em desenvolvimento tem grande crescimento populacional e não há empregos suficientes. Do outro lado os países mais ricos precisam de novos trabalhadores", afirma Ratha. Remessas O efeito mais imediato para os países de origem é o envio de remessas estrangeiras, que este ano foram estimadas em um volume recorde de US$ 232 bilhões. Desse total, US$ 167 bilhões foram recebidos por países em desenvolvimento. Os que mais recebem recursos de residentes no exterior são Índia (US$ 21,7 bilhões), China (US$ 21,3 bilhões) e México (US$ 18,1 bilhões). O Brasil aparece como 13º, com um volume de US$ 3,6 bilhões. O estudo do Banco Mundial diz que esses recursos estão se tornando cada vez mais importantes para promover o desenvolvimento de países pobres e para aliviar os efeitos de crise. Ao contrário do investimentos estrangeiros diretos, que normalmente fogem em épocas de crise econômica, as remessas de trabalhadores têm um efeito contracíclico, já que a imigração aumenta quando as pessoas não encontram emprego no país. O relatório também destaca que a fluxo migratório não se dá apenas entre os países pobres para os países ricos. "O movimento migratório entre países da mesma região é tão grande quando a migração para os países desenvolvidos", diz o economista do Banco Mundial. Na América Latina, por exemplo, o Brasil atrai imigrantes bolivianos, enquanto a Venezuela tem milhões de trabalhadores colombianos e o México recebe trabalhadores de vários países centro-americanos. O mesmo acontece em outras partes do mundo. A África do Sul é um pólo de atração para outros africanos e a Índia para outros países do sul da Ásia. Como conseqüência, 30% das remessas se originam em países em desenvolvimento. O estudo sugere que, para aumentar os benefícios dos movimentos migratórios, países de origem e de destino deveriam negociar acordos para facilitar o trânsito de pessoas e a transferência de recursos. Neste sentido, o relatório diz que é preciso reduzir os custos de envio de remessas. Em alguns países, o custo pode chegar a 20% do volume transferido. |
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