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Atualizado às: 17 de outubro, 2005 - 17h25 GMT (14h25 Brasília)
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Em Roma, Lula cobra honestidade e recebe prêmio

Presidente Lula recebe cumprimentos do presidente da Venezuela, HugoChávez, após ser condecorado com a Medalha Agrícola pelo diretor-geral da FAO, Jacques Diouf (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Presidente foi premiado pelo empenho no combate à fome
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira em Roma que os políticos "devem dar exemplo de honestidade e ética para merecer os olhares solidários de milhões de seres humanos que gostariam de contribuir na luta contra a fome, mas têm receio que seu dinheiro cumpra um caminho que não deve cumprir".

O presidente fez as afirmações no encerramento de um discurso que fez durante uma visita à sede da FAO, a agência das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.

Lula participou das comemorações pelos 60 anos de fundação da FAO e recebeu a Medalha Agrícola, a maior condecoração da entidade, como reconhecimento do empenho de seu governo no combate à fome.

A medalha foi entregue a Lula pelo secretário-geral da FAO, o senegalês Jacques Diouf. Segundo Diouf, o prêmio é também "um reconhecimento à grande contribuição do Brasil e dos agricultores brasileiros pelo abastecimento de alimentos ao mundo todo".

"Problema político"

"Nós temos que transformar a fome em problema político e não usá-la como estatística para campanhas eleitorais", disse Lula.

O presidente expôs as estatísticas ligadas ao programa Fome Zero e prometeu que seu governo vai continuar aumentando os recursos.

Ele disse ainda que, em parceria com França, Chile, Espanha e Alemanha, está sendo desenvolvido um projeto para superar o déficit de financiamento para o desenvolvimento, baseado na aplicação de uma pequena contribuição sobre emissão de passagens aéreas internacionais.

Outra medida que está sendo examinada por esse grupo de países, segundo Lula, é facilitar e reduzir os custos das remessas dos emigrantes a seus países de origem.

"São recursos importantes, estimados em dezenas de bilhões de dólares, que ajudam na geração de renda e emprego", disse o presidente.

Subsídios

O presidente Lula aproveitou a ocasião também para criticar os subsídios agrícolas. Ele disse que o montante de recursos gastos dessa forma equivale a seis vezes o valor adicional necessário, a cada ano, para viabilizar o cumprimento das Metas do Milênio.

"O fim dos subsídios agrícolas, é a chave para o êxito da Rodada de Doha na OMC", disse Lula, reconhecendo que a redução prometida por Estados Unidos e UE é um gesto de boa vontade.

"Precisamos concentrar nossos esforços para que uma parcela da riqueza gerada pela globalização seja revertida em favor dos mais pobres., disse Lula.

O presidente disse também que, depois da Conferência Latino-Americana sobre a Fome Crônica, realizada na Guatemala, assumiu o compromisso de anunciar em Roma o lançamento da iniciativa "América Latina sem Fome".

Anunciou também que o ministro Fernando Haddad, da Educação, assinou um acordo com a FAO que deverá permitir a cooperação com outros países da América Latina e Caribe, começando pelo Haiti e da África, na área da alimentação escolar.

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