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Cimeira quer dar voz 'institucional' a ibero-americanos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta quinta-feira à noite em Salamanca, na Espanha, onde participará, nos próximos dois dias, da 15ª Cimeira Ibero-Americana. Lula chegou com duas e meia de atraso, por volta das 22h, hora local (17h em Brasília) e foi recebido no aeroporto pelo ministro do Trabalho e Assuntos Sociais da Espanha, Jesus Caldera. Após 15 anos de encontros sistemáticos, os líderes dos países de língua portuguesa e espanhola tentam dar na cimeira um papel "institucional" ao grupo. Para tanto, deve ser criada na reunião a Secretaria Geral Ibero-Americana (Segib), que será presidida pelo uruguaio Enrique Iglesias, ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A embaixadora brasileira Maria Elisa Berenguer ocupara o cargo de secretária-adjunta. O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, disse que esta será "uma voz única para a Ibero-América nos fóruns internacionais". O grupo quer, por exemplo, ganhar representatividade na Organização das Nações Unidas (ONU), cujo secretário-geral, Kofi Annan, marcará presença no evento. Comércio Além do estreitamento dos laços políticos e culturais, os 22 países que enviaram representantes ao encontro buscam uma maior aproximação comercial entre América Latina e Europa. Segundo a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), os investimentos diretos da Europa na América Latina na década de 90 giravam em torno de US$ 72 bilhões anuais, mas, nos últimos anos, caíram para uma média de US$ 26 bilhões anuais, quando o foco passou a ser a Ásia. O intercâmbio comercial também diminuiu: as vendas latino-americanas correspondem atualmente a 11% das importações da Europa, enquanto na década de 90 esta proporção era de 21%. Ainda no âmbito econômico, também serão analisados problemas de abastecimento de energia e o estabelecimento de posturas comuns em relação à Organização Mundial do Comércio. Os outros temas a serem abordados são cooperação cultural e a criação de alianças na área de educação. Uma das ideias é promover a troca de dívida externa por educação – países devedores podem ter suas dívidas reduzidas, se usarem esta verba em projetos educacionais. Durante o evento será criada ainda uma estrutura jurídica única para controlar a imigração e combater o crime organizado. Agenda Antes da abertura da Cimeira, Lula participará de uma cerimônia na Universidade de Salamanca, onde fica um palácio que será a futura sede da Fundação Cultural Hispano Brasileira. Os governos de Brasil e Espanha fecharam um acordo para a reforma do palácio, que custará um milhão de euros (cerca de R$ 3 milhões) financiados 100% por capital espanhol. Já dentro do programa da reunião de cúpula, Lula irá abrir o painel de debate "projeções internacionais da Comunidade Ibero-americana", onde serão discutidos acordos sociais para desenvolvimento da região, que tem 209 milhões de pessoas vivendo abaixo dos limites da pobreza, segundo a ONU. O presidente aproveitará a presença do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para pedir apoio para as metas do milênio e para políticas de combate à fome. Fora da agenda oficial, Lula terá cinco encontros bilaterais em Salamanca: com Kofi Annan; com o comissário de política externa da União Européia, Javier Solana; com o presidente da Comissão Européia, Durão Barroso; com o novo presidente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Luís Alberto Moreno, e com o presidente de Costa Rica, Abel Pacheco. A presença do líder cubano, Fidel Castro, foi cancelada na última hora, segundo o secretário de Estado para comunicação da Espanha, Javier Valenzuela. |
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