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Para premiê espanhol, investidores mantêm confiança no Brasil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodriguez Zapatero, disse que a crise política no Brasil não deve afetar os investimentos espanhóis no país. "O Brasil é uma potência econômica de primeira magnitude. Não só na América Latina, mas também no âmbito internacional. Não creio que haja perda de confiança no país porque sabemos que o sistema é sólido", afirmou o primeiro-ministro, em resposta a uma pergunta da BBC Brasil, durante conversa com jornalistas no Palácio da Moncloa, sede do governo em Madri. Zapatero também se mostrou solidário com o presidente Lula. "Pessoalmente desejo que as coisas saiam bem para o presidente Lula, ele tem todo o apoio do governo da Espanha. Tenho um respeito sagrado ao processo eleitoral do Brasil mas, lógico, desejo mais sorte ao presidente". A Argentina foi o primeiro país latino-americano a sentir a desconfiança dos empresários espanhóis que investiram 70 bilhões de euros (mais de 200 bilhões de reais) na região nos últimos 15 anos. A empresa de abastecimento de águas, Águas de Barcelona, anunciou recentemente que estava retirando seus investimentos da Argentina. Para Zapatero essa saída não significa um abandono generalizado."As empresas espanholas ficarão na América Latina. Exceto esse, todos os demais problemas se resolveram." O encontro com um grupo de 22 jornalistas serviu para anunciar o que o governo espera da 15ª Reunião de Cúpula de Governantes Ibero-americanos a ser realizada nos próximos dias 14 e 15 de outubro na cidade espanhola de Salamanca. Todos os chefes de Estado, incluindo Lula, confirmaram presença no evento, com as exceções do presidente de El Salvador, Antonio Sacca, e do cubano Fidel Castro, que ainda precisa confirmar sua participação. "Voz única" Zapatero disse que para a Espanha o evento é fundamental porque "em política exterior esta cúpula é o objetivo mais importante deste mandato". Segundo o primeiro-ministro, a partir de Salamanca "haverá uma voz única para a Ibero-América nos fóruns internacionais". Durante a cúpula, os participantes devem fundar uma instituição internacional, com a criação de uma secretaria-geral. O ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, será o líder e porta-voz e a intenção é que os ibero-americanos tenham representação própria em instituições mundiais como a Organização das Nações Unidas (ONU). O primeiro apoio a esse projeto será a presença do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em Salamanca. "A ONU promove a integração e a cooperação internacional de países com elementos comuns e, nesse sentido, vamos ter uma grande voz única. A figura de Enrique Iglesias será de interlocutor nos âmbitos econômico, político e social", disse o primeiro-ministro espanhol. Zapatero disse que a reunião de cúpula estará dividida em quatro temas básicos. O primeiro deles é a criação de uma estrutura jurídica única para controlar o fenômeno da imigração, já que a Espanha é a primeira via de entrada de imigrantes latino-americanos na Europa. Só em território espanhol há um milhão de imigrantes, segundo o governo. O segundo ponto é a economia. Haverá um grande fórum empresarial que pretende promover mais investimentos e acordos, discutir processos de integração econômica, a relação entre América Latina e Europa, solucionar problemas de abastecimento de energia e estabelecer posturas comuns em relação à Organização Mundial de Comércio. Os outros temas são cooperação política e cultural e a criação de alianças na área de educação. Uma das idéias é promover a troca de dívida externa por educação – países devedores podem ter suas dívidas reduzidas, se usarem essa verba em projetos educacionais. Sobre a circulação de criminosos e máfias no território ibero-americano com redes de tráfico de drogas, armas e outros crimes, Zapatero disse que na cúpula será criado um espaço jurídico único e de coordenação dos serviços secretos. Para colaborar com essas idéias a Espanha doará 300 milhões de euros (cerca de R$ 900 milhões) para projetos sociais da América Latina. O valor corresponde a 40% da verba destinada à cooperação internacional. "A América Latina é um continente político complexo e é importante que haja líderes de ideologia progressista para ter um projeto de democracia social. Sem uma grande democracia social é difícil que o desenvolvimento econômico chegue à sociedade." A cúpula de Salamanca coincide com o 30º aniversário da volta da monarquia à Espanha com o rei Juan Carlos 1º. Dias antes do evento haverá fóruns econômicos e sociais com empresários e ONGs que deverão elaborar propostas para serem discutidas pelos governantes na cúpula. |
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