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Chuvas e ventos causam destruição no sul da Louisiana | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
No início do caminho entre Houston e Lake Charles é fácil ter a impressão de que o furacão Rita não passou de um alarme falso. Mas depois de uma hora de estrada já é possível ver que, se os ventos de quase 200 quilômetros por hora pouparam Houston, eles atingiram com força as cidades menores no sul dos Estados do Texas e da Louisiana. Em Vidor, ainda no Texas, o furacão foi o pior já vivenciado pelo chefe de polícia local, Weldon Pevedo, que nasceu e foi criado na cidade de cerca de 15 mil habitantes. Os ventos e as fortes chuvas derrubaram árvores, destelharam casas e deixaram toda a cidade sem energia elétrica. Entre os prédios destruídos estão a igreja, a sede do corpo de bombeiros e a casa de Pevedo e de seus sogros. Apesar disso, ninguém morreu nem ficou seriamente ferido. Pevedo estima que vai demorar um mês até que a eletricidade seja restaurada e as aulas possam ser retomadas na escola local. Ele estima que cerca de 85% dos moradores haviam deixado a cidade antes da tempestade, obedecendo às ordens das autoridades de saída obrigatória do local. Os que ficaram são na maioria homens adultos que, segundo Pevedo, já começaram a limpar a estrada e reparar a destruição logo no sábado de manhã. Trabalho "Aqui ninguém espera a ajuda do governo. Os próprios moradores já começaram a tirar as árvores do caminho e a abrir a estrada", afirma. Ele também reclama que o governo e a mídia se preocupam mais com cidades maiores, como Houston e Galveston. "Mas são as comunidades pequenas que estão sofrendo mais", diz ele. No posto de gasolina, as bombas estão caídas no chão, e a cobertura foi jogada do outro lado da rua pelo vento. Pevedo afirma que, se a inundação de Nova Orleans tivesse acontecido na sua cidade, "os moradores teriam encontrado uma maneira de sair do lugar". Seguindo em direção à Louisiana, e chegando mais perto da região atingida pelo olho do furacão, a destruição fica mais vísivel. São árvores quebradas ou arrancadas pela raiz, telhados danificados, postes tombados e placas no chão. Em Lake Charles, a água do lago subiu vários metros e inundou casas de veraneio que ficavam em suas margens. O vento destruiu os telhados de várias casas. As construções mais fortes, de alvenaria, resistiram bem, mas a maioria das garagens, de madeira, foi reduzida a um monte de tábuas. Postes foram quebrados ou entortaram com a força dos ventos. Numa estrada lateral, uma fileira inteira foi jogada ao chão, com fios que podem estar eletrificados balançando ao vento. Na dúvida, os carros desviam para o outro lado. Mas, diferentemente do furacão Katrina, que passou na região há quase um mês, desta vez o furacão provocou estrago principalmente material. A maior operação de evacuação já realizada nos Estados Unidos foi caótica pelos congestionamentos que provocou, mas conseguiu evitar as centenas de mortes registradas na outra tempestade. As casas danificadas estão vazias. Muitos moradores já estão voltando para cidades como Houston, onde o dano foi mínimo, mas ainda não voltaram a cidades menores, como Lake Charles e Galveston, no Texas. As autoridades pedem justamente que as pessoas esperem, até que a infra-estrutura mínima seja reparada, e os locais fiquem mais seguros. Bem em frente ao lago que dá o nome a Lake Charles, o casal Claudia e Curtis Dyle é uma exceção. Eles não atenderam à ordem das autoridades de deixar o local porque ficaram cuidando da mãe de Claudia, de 90 anos, que está em uma cadeira de rodas, e da tia dela, de 88 anos, imobilizada em uma cama. "Tirá-las de casa seria muito traumático, talvez fatal", contou Claudia. "Se não fosse por isso, teríamos ido para outro local, porque deu muito medo." Toda a cidade ficou sem energia elétrica e sem telefone. Ainda assim, ela conta que o furacão Rita teve menor força do que o furacão Audrey, que atingiu a cidade em 1957. "Aquele foi muito mais forte. O medo agora é com a água." Eles passaram o sábado checando o nível da água no lago, com medo de que ele transbordasse e chegasse à casa da mãe dela, a um quarteirão de distância. "Felizmente agora a água começou a descer", constatou aliviada, no fim da tarde de sábado. Ainda assim, estava cerca de um metro e meio acima do normal, cobrindo parcialmente casas que ficam à margem. |
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