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Galveston teme repetição de desastre de 1900 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A cidade de Galveston, no Texas, já sabe como é estar no caminho de um furacão devastador, como acontece neste momento em que o Rita segue para a região. Em 1900, Galveston quase foi apagada do mapa por uma grande tempestade que entrou para a história como o pior desastre natural dos Estados Unidos. A cidade foi arrasada por um furacão de categoria quatro e mais de 8 mil pessoas morreram. Graças à força de vontade dos moradores de manter a sua comunidade, Galveston foi reconstruída no que foi considerado uma vitória da engenharia. Há menos de um mês, a história da cidade servia de inspiração aos habitantes de Nova Orleans, severamente atingida pelo furacão Katrina. Agora, a maioria dos 60 mil moradores de Galveston é obrigada a deixar a estreita faixa de areia na costa sudeste do Texas, que está novamente na trajetória de um poderoso furacão. Wall Street do Sul Na virada do século, Galveston, fundada em 1839, tinha 42 mil pessoas e era um centro urbano em franca ascensão. A "Wall Street do Sul", como era conhecida, detinha o maior porto de comércio de algodão dos Estados Unidos e as suas indústrias financeira e marítima se desenvolviam a todo vapor. Galveston era uma dos cidades mais ricas do Texas. Fisicamente, no entanto, a cidade ficava em uma ilha costeira e era vulnerável. No dia 8 de setembro de 1900, um furacão chegou à terra justamente no local onde fica a ilha, arrasando a cidade com ventos de mais de 200 km/h, arrastando casas e inundando Galveston com ondas de cinco metros As mais de 8 mil pessoas mortas se afogaram ou foram esmagadas. Cadáveres eram empilhados em carrinhos para ser enterrados no mar, embora muitos tenham sido levados pela correnteza. Fogueiras fúnebres eram feitas onde os mortos eram encontrados e ainda queimavam por semanas depois da tempestade. Na escala da destruição, Katrina foi comparável ao furacão que destruiu Galveston. Plano de reconstrução O desastre de Galveston, hoje uma cidade de cerca de 57 mil habitantes, foi visto como uma oportunidade histórica para mudar a vulnerabilidade da cidade a furacões. Uma comissão de engenheiros formulou um plano de reconstrução, incluindo a construção de uma parede marítima e a elevação de partes da cidade. Um projeto de dez anos terminou com a construção de uma forte parede, hoje com 17 km de extensão, e a elevação de partes da cidade para cinco metros. Na época da tempestade, o ponto mais alto ficava apenas 2,7 metros acima do nível do mar. Para tanto, lama foi tirada do Golfo do México e mais de 2 mil prédios foram levantados. Tudo isso feito com a tecnologia relativamente primitiva de 1900. Mas, mesmo com a reconstrução, a tempestade contribuiu para o declínio econômico da cidade. Ao longo das décadas, Galveston passou de um movimentado centro comercial para uma cidade turística de pouca expressão enquanto a indústria e o comércio se deslocaram para Houston. O turismo chegou a prosperar, impulsionado pelos hotéis e clubes noturnos, construídos sob a proteção das barreiras, mas em 1961 Galveston foi novamente atingida pelo furacão Carla. A parede marítima havia suportado outras tempestades, mas não aguentou todo o impacto de Carla e partes da cidade foram devastadas. O impacto foi principalmente psicológico – a cidade perdeu o seu novo senso de invulnerabilidade. A grande questão é se Galveston agüentaria uma nova tempestade de grande intensidade. Diferentemente da sua situação 105 anos atrás, a cidade tem agora a barreira e está mais alta, mas a tempestade pode atravessar a parede e inundar a ilha. |
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