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Atualizado às: 20 de setembro, 2005 - 08h03 GMT (05h03 Brasília)
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Caio Blinder: Acordo nuclear coreano é um frágil triunfo diplomático

País anunciou que aceita suspender programa nuclear - com condições
O surpreendente acordo costurado na crise nuclear norte-coreana na segunda-feira em Pequim se baseou em uma fórmula de sucesso em negociações espinhosas.

O acordo é vago e deixou para o futuro a resolução de pontos mais contenciosos.

Mesmo assim é uma proeza histórica arrancar da Coréia do Norte a promessa de abrir mão de suas armas e programas nucleares em troca de cooperação econômica e energética internacional, além de garantias do governo americano de que não haverá um ataque militar contra um regime comunista denunciado pelo presidente Bush como integrante de um "eixo do mal", ao lado do finado Iraque de Saddam Hussein e do Irã xiita.

No horizonte está até a possibilidade de estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países.

China e EUA

As negociações multilaterais (envolvendo EUA, China, Japão, Rússia e as duas Coréias) tiveram quatro rodadas que se arrastaram por dois anos e pareciam fadadas ao malogro, e esta era a expectativa da linha dura do governo Bush.

Foi uma vitória da diplomacia chinesa, mas há também o mérito americano.

O clima exultante em Pequim, no entanto, não é compartilhado em Washington, onde o sentimento é de extrema cautela, beirando o ceticismo.

O presidente Bush disse que foi um passo positivo, mas lembrou as dificuldades de verificação e implementação do acordo.

O regime norte-coreano continua sendo ditatorial, paranóico e imprevisível e renegou acordos no passado.

Um regime que restringe até funcionários do Programa Mundial da Alimentação de monitorarem a distribuição de comida agora deve permitir que inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica tenham acesso às suas instalações nucleares.

São os mesmos inspetores expulsos do país em 2002.

No ano seguinte, o regime comunista abandonou o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares e agora em 2005 se declarou um Estado nuclear.

Por algumas estimativas, já teria oito bombas.

Arestas

Diplomatas citados pelos principais jornais americanos disseram que o maior nó nas conversações não era convencer os norte-coreanos a se comprometerem a abandonar armas nucleares, mas a insistência deles por um reator nuclear de água leve para a produção de eletricidade, o que era inconcebível para os americanos.

Os chineses apararam as arestas quando sugeriram uma nova linguagem para superar o impasse, propiciando aos norte-coreanos o direito ao reator, desde que o invoquem após o desmantelamento do programa de armas nucleares.

As autoridades de Pyongyang não fazem a mesma leitura e esta é uma das questões empurradas para uma quinta rodada de negociações em novembro.

Horas depois do acordo acertado em Pequim, porta-vozes norte-coreanos já criavam encrenca nesta questão do reator de água leve.

Em termos mais abrangentes, o desafio é acertar o passo dos compromissos mútuos.

O regime de Kim Jong Il insiste que não se desfaz do patrimônio nuclear enquanto não tiver as garantias de segurança e o fornecimento de energia. Washington, é claro, exige o caminho contrário.

Toda cautela, portanto, é procedente, mas o vago acordo é uma vitória para a diplomacia internacional.

Afinal um país recluso e isolado optou por cooperação e assistência - e possivelmente sobrevivência - ao invés do confronto.

Um dos maiores especialistas em proliferação nuclear nos EUA, Joseph Cirincione, disse que se trata de um acordo ao estilo líbio, uma alusão à promessa do regime Khadafi em 2003 de abrir mão de armas de destruição em massa em troca de assistência internacional.

Já do lado americano, o pragmatismo revela em parte a falta de alternativas atraentes para encarar o desafio nuclear norte-coreano.

As opções militares são muito custosas e chineses e sul-coreanos expressaram relutância para levar a crise com Pyongyang para o Conselho de Segurança das Nações Unidas ou apoiar pressões mais duras.

A sobrevida de negociações e um vago acordo também são convenientes quando o governo Bush está assolado por crises como Iraque e o furacão Katrina.

E finalmente permite o foco na crise nuclear iraniana, onde qualquer desfecho positivo seria igualmente surpreendente.

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