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De Rato alerta para risco de maior protecionismo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato, alertou para os riscos de um fracasso na reunião de Hong Kong da Organização Mundial do Comércio (OMC), em dezembro. "O mundo não vai ficar parado. As forças do protecionismo estão aparecendo em todos os lugares e, se não houver avanços na abertura, o protecionismo vai aumentar", afirmou De Rato durante um debate sobre o assunto no Clinton Global Initiative, um fórum organizado pelo ex-presidente Bill Clinton em Nova York. Para isso, ele disse que o G-20, que reúne países exportadores que pedem a abertura dos países desenvolvidos, também precisa chegar a um meio termo que permita um acordo. A reunião de Hong Kong vai tentar retomar a agenda de abertura do comércio internacional, prevista na Rodada de Doha e que ficou parada nos últimos anos por falta de acordo. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que participou do debate junto com o deputado americano Jim Kolbe, disse que os Estados Unidos deveriam acabar com subsídios agrícolas sem esperar que a Europa faça o mesmo. "Em vez de querer organizar todo o comércio mundial, é melhor ir passo a passo, como nós fizemos no Brasil", disse Fernando Henrique. O presidente americano George W. Bush disse esta semana, na abertura da reunião de cúpula da ONU, que os Estados Unidos estão dispostos a acabar com os subsídios agrícolas, desde que os outros países façam o mesmo. Fernando Henrique disse que o Brasil, nos anos 90, decidiu manter alguns subsídios à produção interna, mas acabar com os subsídios à exportação, porque considerou injusto distorcer o mercado internacional. Tanto os Estados Unidos, quanto a União Européia concedem subsídios também para produtos agrícolas exportados para outros países, o que os torna mais competitivos. "As consequências podem ser ruins no curto prazo, mas o governo tem que pensar no longo prazo", disse o ex-presidente. O diretor-gerente do FMI também disse que um maior intercâmbio comercial pode dinamizar a economia mundial, atualmente puxada pelo crescimento americano, às custas de um déficit comercial que ele considera insustentável. "O déficit comercial funcionou até agora, mas não funcionará para sempre", afirmou De Rato. "Queremos ver os Estados Unidos poupando mais e deixando de ser a única locomotiva de crescimento do mundo. Precisamos de outras locomotivas, de países de renda média como Brasil, Índia, abrindo mais seus mercados, e países como o Japão crescendo mais", afirmou. |
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