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Bush chega enfraquecido para confirmar nomes na Suprema Corte | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Senado americano é palco nesta semana da audiência para a confirmação de John Roberts para ser o 17º presidente da Suprema Corte. Embora ainda esteja competindo com as imagens da devastação provocada pelo furacão Katrina, a transmissão pela televisão da inquisição no Senado é teatro político de primeira grandeza. Há muito de espetáculo na medida em que a minoria democrata estará guardando seus cartuchos para a audiência para a confirmação de um segundo nome a ser indicado pelo presidente George W. Bush, para a vaga da juíza Sandra Day O'Connor. Como está indo para o lugar de William Rehnquist, Roberts não altera a balança da filosofia judicial. Mas a importância histórica do momento não deve ser minimizada. Salvo a descoberta de um escândalo, espera-se a confirmação de Roberts até o final do mês. Jovem Assim, ele irá se tornar, aos 50 anos, o segundo mais jovem presidente do Supremo na história. Ele será o primeiro novo juiz em 11 anos, um recorde na era moderna. Levando-se em conta que nos próximos dias ou semanas, o presidente Bush estará indicando um segundo nome para o Supremo (nove juízes no total), trata-se de uma oportunidade invejável para consolidar o avanço conservador no país. Roberts e o juiz indicado para a vaga de Sandra Day O'Connor poderão votar por uma geração. Os democratas sabem que não podem derrotar Roberts. De qualquer forma, haverá uma certa paixão no questionamento, tendo a devastação do Katrina como pano-de-fundo. Marshall Wittmann, ex-assessor do influente senador republicano John McCain e hoje sintomaticamente associado ao grupo democrata-centrista Progressive Policy Institute, diz que, na esteira do furacão e da desastrosa resposta oficial no primeiro estágio, um ponto fundamental no debate sobre Roberts será o papel do governo na sociedade. Poder federal Houve sucesso apenas limitado nos esforços conservadores para circunscrever o poder federal nos últimos tempos e um tema-chave na audiência desta semana será justamente o peso de Washington e dos Estados na balança. Para Wittmann, os objetivos imediatos dos democratas são modestos. A audiência televisionada servirá para recalibrar a mensagem partidária e também para montar o cenário da batalha sobre a sucessão de O'Connor. O projeto democrata é impedir uma reversão radical do ativismo judicial que marcou os trabalhos do Supremo nas últimas décadas. Apesar dos esforços redobrados da trinca Rehnquist, Antonin Scalia e Clarence Thomas, decisões históricas sobre direitos civis, aborto e proteção do meio ambiente não foram revertidas. A direita religiosa, uma força política significativa no Partido Republicano, acredita que exista esta chance histórica para reconstruir (ou simplesmente destruir) pilares judiciais. O presidente Bush, no entanto, chega enfraquecido para este momento histórico em razão do desencanto americano com o Iraque e a incompetência oficial no desastre Katrina. Com menos capital político hoje do que tinha na sua segunda posse em janeiro passado, o presidente tomou um caminho seguro ao nomear Roberts para a vaga de Renhquist. Obviamente, trata-se de um juiz conservador, mas tudo indica que sem a virulência de Antonin Scalia, um nome que era cogitado para o posto supremo. A dúvida é se Bush irá indicar um conservador ideológico para a vaga de O'Connor - abrindo o flanco para uma grande batalha no Senado e na sociedade em geral - ou se vai optar por um nome mais pragmático e assim reconhecer que perdeu capital político. Em breve saberemos se haverá ou não um furacão judicial em Washington. |
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