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Nove meses após o tsunami, milhares ainda buscam abrigo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Mais de 1,2 mil famílias ainda estão vivendo nas ruas de Madras, mais de nove meses depois que tsunamis na Ásia invadiram a cidade costeira. Com um abrigo improvisado e magras provisões fornecidas por ONGs, as famílias dizem que estão sendo intimidadas pela polícia e ameaçadas com violência por gente que quer vê-las fora das ruas. O governo estadual implementou um esquema de US$ 8 milhões para construir casas para a maioria das 44 mil famílias afetadas pelos tsunamis. Mas quem estava alugando propriedades destruídas na catástrofe de dezembro passado não conseguiu obter benefícios. Eles não têm nem um abrigo temporário. Sem comprovação de endereço eles não podem trabalhar, registrar-se para obter ajuda ou matricular os filhos na escola. Reabilitação "Sem emprego nossos filhos estão sofrendo. Eles estão pegando malária e padecendo com febre. Nós não temos como comprar remédios", disse R. Nila, que vive com o marido, a mãe e os três filhos em Sreenivasapuram, no sul da cidade. "O governo lavou as mãos em relação a nós. É como se não existíssemos." A pele de seu bebê está cheia de marcas de picadas de mosquitos. Ele chora continuamente. Sua tenda improvisada no caminho à beira da praia se mostra inadequada para enfrentar a estação de monções que se aproxima. Poças de água formadas por chuvas recentes continuam onde estão. São cerca de 150 famílias que lutam para sobreviver só nesta área. Ravi Parayannar, de Puratchi Baratham, faz a ligação entre os moradores locais e o governo. "Só há um tanque de água e um banheiro para uso exclusivo das mulheres. Se houvesse acomodações adequadas eles iriam trabalhar e reconstruir suas vidas", diz Parayannar. Abrigos semipermanentes Nas últimas semanas as famílias fizeram um ato público diante de uma autarquia para exigir abrigo, instalações sanitárias básicas e melhores condições de reassentamento. O responsável pelo setor disse que foi proposta a construção de instalações semi-permanentes no sul da cidade para abrigar as vítimas e que será alocado terreno para isso. Mas ONGs envolvidas em projetos de reconstrução na cidade suspeitam que isso não vai acontecer.
"Não foi fornecido terreno nem espaço para estas famílias em particular. As ONGs distribuíram algum material de construção no ano passado mas não há mais nada", disse R.M. Nathan, do Movimento de Ação dos Povos. Em outros lugares famílias afetadas enfrentam problemas semelhantes. No norte da cidade, em Kargil Nagar, uma colônia de famílias em abrigos temporários aguarda para ser levada para acomodações semipermanentes. Esta é uma área fortemente industrializada no subúrbio da cidade. As emissões de indústrias químicas das proximidades se misturam ao cheiro de esgoto da região. Um mar de tendas cinzentas pode ser visto à distância, colunas de fumaça se erguem de fornos e a chuva torna o chão lamacento. Depois de um incêndio em junho que destruiu abrigos fornecidos por ONGs, cerca de 2,2 mil famílias estão novamente tendo que enfrentar enchentes nas terras baixas alocadas pelo governo. "Abrigo tem sido o maior problema, mas nós estamos comendo. Organizações não-governamentais têm cuidado de nós e nos oferecido comida. Devemos nos mudar para abrigos semipermanentes em algum momento no mês que vem." Kanchana tem 28 anos e vive numa tenda, de 2m por 3m, com seis outros familiares. A vida das famílias geralmente melhora dramaticamente quando elas são transferidas para os abrigos semipermanentes. Elas passam a ter água, eletricidade e banheiro. "Se nós pressionamos o governo, eles começar a fornecer esses serviços, mas apenas se nós os pressionamos. Eles fizeram abrigos, mas eles são de má qualidade e em áreas inadequadas", afirma SD Rajendran, do Conselho de Coordenação das ONGs de Madra. "Essas áreas baixas são um problema. A terra tem de ser melhorada antes que a construção possa começar." Segundo Rajendran, o governo aceitou as sugestões para melhorar as áreas dos abrigos. "Quando as pessoas estiverem em abrigos adequados e na terra certa nós podemos começar o processo de promover o auto-sustento e fazer com que elas voltem a trabalhar." A pouco mais de três meses do primeiro aniversário do tsunami, as ONGs pretendem ter até 3,7 mil famílias adequadamente abrigadas em um mês. As famílias negligenciadas no sul da cidade só podem esperar receber tratamento semelhante. |
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