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Império Bush contra-ataca para se recuperar do Katrina | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Assolado por críticas até de congressistas republicanos por sua lentidão para reagir ao desastre Katrina, o governo Bush reafirmou sua capacidade para trabalhar com muita agilidade quando precisa reparar um dano político, neste caso simplesmente colossal. E não está mal para um presidente que por alguns momentos na semana passada parecia mais equipado para governar a Somália do que a única superpotência do mundo. Resta saber se este esforço de recuperação será suficiente para conter a onda de indignação. Esta segunda-feira foi emblemática dos esforços da Casa Branca. Os assessores presidenciais definem o momento como de "máxima flexibilidade" na agenda de Bush. Aliás, uma reunião histórica com o presidente chinês Hu Jintao, programada para esta quarta-feira, foi adiada para a semana que vem. Jogada Esta segunda-feira, um feriado (Dia do Trabalho no calendário americano), prometia ser morna, mas começou quentíssima. O presidente faz o que pode para que o país não se concentre nas imagens horripilantes geradas pelo Katrina e pela tragédia burocrática. É verdade que o desastre humano foi rebaixado de dantesco para terrível. Logo cedo na segunda-feira, Bush apareceu engravatado no Salão Oval ao lado do juiz John Roberts, seu indicado para substituir Sandra Day O' Connor na Corte Suprema, para anunciar que ele agora é o seu nome para presidir o tribunal, no lugar de William Rehnquist, que morreu no sábado. Parece ser uma boa jogada. Roberts gerou poucas críticas da oposição democrata e Bush espera enfrentar obstáculos pequenos quando tem a oportunidade histórica de nomear em questão de semanas dois dos nove juizes do Supremo (agora ele precisa escolher alguém para a vaga de O'Connor). Quem manda? A iniciativa no Supremo é apenas um dos desafios para Bush neste setembro que já se revela tempestuoso. A popularidade do presidente está no patamar mais baixo no seu governo, em contraste às aguas que subiram no Golfo do México, e em particular em Nova Orleans, assim como os preços da gasolina. Após ficar na defensiva por alguns dias, o império Bush contra-atacou com força avassaladora. Abriu o cofre e mandou a cavalaria (que incluiu soldados do Exército regular) para Nova Orleans para impor a lei e a ordem, assim como para deixar claro para as autoridades locais quem agora exerce o controle da situação. Terror natural O alto comando do governo foi deslocado para a zona devastada pelo furacão para marcar presença. O próprio presidente regressou ao sul nesta segunda-feira. No fim de semana foi uma romaria de autoridades como o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, e de Estado, Condoleezza Rice. O papel dela é crucial. A pessoa negra em mais alta posição no governo foi despachada para o Alabama (Estado onde nasceu) para transmitir a mensagem que a administração não deixou negros e pobres ao Deus-dará durante o desastre Katrina. Os planos para conter o dano político incluem lances marotos do guru politico do presidente, Karl Rove. A idéia é que as autoridades não respondam aos ataques da oposição democrata sobre o fiasco burocrático e político no day after ao Katrina, mas façam o possível para transferir a culpa pela incompetência aos democratas que governam tanto o Estado da Louisiana quanto o cidade de Nova Orleans. Como em setembro de 2001 (com os ataques em Nova York e Washington), Bush precisa provar em setembro de 2005 que é um líder vigoroso e competente, agora que o país foi submetido ao terror da natureza (e de sua própria burocracia). Há quatro anos, as expectativas eram baixas em relação a Bush. Ele conseguiu ascender. Desta vez a imagem do presidente é negativa. A recuperação vai exigir um esforço sobre-humano, como a reconstrução de Nova Orleans. |
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