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Palestinos ainda discutem futuro de áreas desocupadas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Autoridade Palestina ainda está discutindo como vai aproveitar as áreas desocupadas pelos colonos judeus que estão deixando os assentamentos na Faixa de Gaza. Algumas, porém, já têm futuro certo, como o assentamento de Netzarim - onde serão construídos armazéns para um porto a ser instalado em Gaza. “Ainda vamos definir exatamente como cada assentamento vai ser utilizado. Em alguns deles o Ministério da Habitação (da Autoridade Palestina) vai construir residências para os refugiados”, disse o ministro palestino da Informação, Nabil Shaath. As antigas casas dos colonos israelenses serão todas derrubadas, segundo uma decisão aprovada tanto pelo governo de Israel quanto pela Autoridade Palestina. Os israelenses querem evitar o impacto psicológico negativo que teriam as cenas de palestinos ocupando casas que eram de judeus; já os palestinos acham que é melhor que as casas sejam destruídas para que os terrenos possam ser usados para outros fins, e para evitar brigas pela posse das grandes residências. O acordo prevê, no entanto, que os prédios públicos e a infra-estrutura – de eletricidade, água e esgoto, por exemplo – sejam preservados. Moradia A moradia é um sério problema para os palestinos na Faixa de Gaza. Enquanto os assentamentos judeus que ocupam 30% do território abrigam oito mil colonos, cerca de 1,5 milhão de palestinos vivem nos outros 70%, em uma das áreas mais densamente povoadas do planeta. As colônias também atrapalham a movimentação dos palestinos, já que várias estradas são cortadas pelos corredores que interligam os assentamentos israelenses. Os palestinos também sofrem com as constantes demolições, já que, segundo autoridades israelenses, as casas próximas aos assentamentos podem ser usadas para atacar os colonos. Demolição A pressão demográfica e a carência habitacional colaboram para que a expectativa palestina em relação à desocupação dos assentamentos judaicos na Faixa de Gaza seja grande.
Poucos dos palestinos moravam nas áreas onde as colônias foram instaladas – segundo informações de Israel não contestadas pela Autoridade Palestina –, mas, nos últimos anos, muitos que viviam perto dos assentamentos foram despejados e tiveram as casas demolidas pelos israelenses por questões de segurança. Ahmed Mahmoud Abu Zaid tinha uma casa de três andares na cidade de Khan Yunis com vista para um dos assentamentos do bloco de Gush Katif. Ele diz que, em março de 2003, tropas israelenses chegaram de madrugada à sua casa, mandaram que todos saíssem e derrubaram a construção. “Os israelenses disseram que minha casa era um esconderijo de terroristas, mas isto é mentira”, afirma. Casa nova Abu Zaid espera ganhar uma casa nova da Autoridade Palestina em um dos assentamentos que vai ser desocupado. “Já tinham me oferecido uma casa em outro lugar, mas com apenas três quartos e bem longe daqui. Minha família tem 12 pessoas e preciso de uma casa maior”, disse ele. Atualmente ele mora em um apartamento num prédio inacabado onde vivem dezenas de palestinos que tiveram as casas demolidas em Khan Yunis. Os apartamentos são todos muito precários, sem nenhum acabamento – nem portas ou janelas – e cozinhas e banheiros improvisados. “A (ONG) Médicos Sem Fronteiras veio visitar este prédio uma vez e disse que não há nenhuma condição de pessoas terem uma vida saudável aqui”, disse. |
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