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Atualizado às: 11 de agosto, 2005 - 10h45 GMT (07h45 Brasília)
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Iraque: Aumento de mortes derruba apoio nos EUA à guerra

Soldados americanos carregam corpo com cadáver em Bagdá
EUA têm atualmente 138 mil homens e mulheres no Iraque
O elevado número de soldados americanos mortos no Iraque – com ataques dos últimos dias o total desde o início da guerra chegou a 1.840 – reduziu o apoio dos americanos à guerra e aumentou a pressão, entre a opinião pública, para que as tropas voltem para casa o quanto antes.

Uma pesquisa Gallup feita para a CNN e o jornal USA Today, divulgada nesta semana, mostra que 54% dos americanos consideram que a invasão do Iraque foi um erro.

Outras pesquisas sugerem um pessimismo ainda maior. O levantamento da revista Newsweek indica que agora apenas 34% apóiam a guerra.

A realidade tem se mostrado bem diferente da expectativa – e do que foi prometido pelo governo: de que a transição no país seria rápida.

Mesma cidade

Um fato que tem contribuído para a comoção no país em relação à morte de soldados é o fato de que muitas vezes os ataques matam militares de um mesmo batalhão, que, por sua vez, na maioria das vezes são provenientes das mesmas cidadezinhas no interior dos Estados Unidos.

Na semana passada, por exemplo, o jornal The New York Times fez uma reportagem sobre duas cidades do interior do Estado de Ohio onde vivem as famílias dos 20 fuzileiros navais mortos em dois ataques insurgentes no Iraque. Um deles, onde soldados foram mortos quando uma mina explodiu sobre um veículo blindado em Haditha, teve destaque na imprensa americana como o incidente com maior número de mortos até agora.

Nesta quarta-feira, o jornal notava que quatro soldados da Guarda Nacional baseados em Nova York morreram num ataque em Baiji, no norte do Iraque.

As Forças Armadas americanas têm atualmente 138 mil homens e mulheres no Iraque. O governo insiste que não vai dar uma data para a retirada das tropas, mas sofre pressão em duas direções: de um lado dos que querem a saída o quanto antes e de outro dos que acreditam que é preciso aumentar o número de tropas para controlar os insurgentes e acabar a guerra mais rapidamente.

O historiador Frank McCann, da Universidade de New Hampshire, acha que o fato de os fuzileiros mortos serem da reserva piora ainda mais as coisas na percepção do povo americano, que já está cansado de ver o número de vítimas americanas aumentando a cada dia, com a violência se intensificando no Iraque em vez de diminuir.

"A intenção (era) que essas tropas da reserva não ficassem na linha de frente, mas na retaguarda, mantendo a estrutura militar aqui nos Estados Unidos. Usar as tropas dessa maneira e mandá-los de volta ao Iraque várias vezes como o governo está fazendo é uma mudança nas regras do jogo", afirma.

Ele acredita que episódios como o de Ohio fazem as pessoas se sentirem mais próximas da guerra e ajuda a mudar a percepção da opinião pública.

"A popularidade do presidente está caindo. As pessoas que apoiavam o governo agora estão em dúvida, e essa dúvida vai aumentar muito nos próximos meses."

McCann acha que a mudança pode chegar às urnas eleitorais e influenciar as eleições do Congresso no ano que vem. Um exemplo disso, ele acha, é o resultado da eleição para um senador do Estado de Ohio (para substituir um senador que foi para o governo).

Os republicanos venceram por pouco, em um contraste com o resultado de eleições anteriores, que tinham vencido com margens de até 70% dos votos. O outro candidato é um veterano da guerra do Iraque que fez sua campanha baseada na crítica à guerra. O resultado foi comemorado pelos democratas, como um sinal de que eles têm boas chances nas eleições de 2006.

"Se os democratas conseguirem a maioria do Congresso no ano que vem tudo muda", diz McCann.

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