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Grã-Bretanha diz não reconhecer visto de Jean | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Ministério da Justiça da Grã-Bretanha divulgou um comunicado na tarde desta quinta-feira no qual afirma não reconhecer o visto carimbado no passaporte de Jean Charles de Menezes que daria ao brasileiro residência permanente no país. Menezes trabalhava como eletricista na Grã-Bretanha e foi morto pela polícia londrina na estação de metrô de Stockwell (sul de Londres), no último dia 22. Segundo as autoridades, uma investigação revelou que o carimbo que está estampado no passaporte não corresponde ao tipo usado na data em que ele teria sido emitido pelo Departamento de Imigração e Nacionalidade da Grã-Bretanha. O Ministério de Relações Exteriores divulgou nota em que diz que o ministro Celso Amorim recebeu carta do secretário do Exterior britânico Jack Straw, "pela qual este indica haver dúvidas sobre as condições imigratórias do Sr. Jean Charles de Menezes no Reino Unido". Segundo a nota, a informação "contraria as indicações que haviam sido recebidas até então das autoridades britânicas", mas ao mesmo tempo não altera "a responsabilidade das autoridades britânicas pela morte trágica de um cidadão brasileiro inocente e pacífico." "Não deve, portanto, ter qualquer influência sobre as investigações conduzidas a respeito da tragédia ou sobre as medidas que o Governo britânico deverá tomar como reparação à família do Sr. Jean Charles de Menezes, as quais continuarão a ser acompanhadas atentamente pelo Governo brasileiro", conclui a nota divulgada pelo Itamaraty. Segundo o Ministério da Justiça britânico, Menezes entrou na Grã-Bretanha em 13 de março de 2002 e recebeu um visto turístico de seis meses. Posteriormente, afirma o ministério, ele solicitou um visto de estudante. O órgão afirma que o pedido foi aprovado no dia 31 de outubro de 2002. Foi dado a Menezes um visto válido até 30 de junho de 2003. O ministério afirmou não ter registro de qualquer outro pedido feito por Menezes. Procurado pela reportagem da BBC Brasil, o consulado brasileiro em Londres não quis comentar o conteúdo do comunicado das autoridades britânicas. A situação legal do brasileiro na Grã-Bretanha foi motivo de confusão no início da semana. Inicialmente, autoridades do Ministério da Justiça britânico disseram que o visto de Jean Charles de Menezes estava vencido. Em seguida, a família do eletricista negou essa versão, e tanto o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, quando o seu colega britânico, Jack Straw, disseram em uma entrevista conjunta que o brasileiro estaria legalmente no país. Pouco depois, as autoridades britânicas afirmaram que não poderiam confirmar a situação legal de Menezes. Essa declaração foi a última até a nota desta quinta-feira. |
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