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'Polícia britânica não precisa avisar antes de atirar', diz The Guardian | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O diário britânico The Guardian afirma em sua edição desta quarta-feira que a polícia “tem permissão de atirar em suspeitos de serem homens-bomba sem avisar antes”, segundo uma fonte da polícia mantida sob anonimato pelo jornal. "Se (os policiais) estão razoavelmente certos de que a pessoa é um suicida, então não há a necessidade de dar um alerta. Experiências em outras partes do mundo mostram que se um homem-bomba sabe que está sendo seguido pela polícia, ele vai se detonar", teria dito a fonte ao jornal. Fontes da polícia também disseram ao The Guardian que podem ter havido falhas na operação que levou à morte do eletricista brasileiro, Jean Charles de Menezes, morto com oito tiros no metrô da cidade na semana passada. "Há questões sobre por que a Inteligência que levou à observação do prédio tinha tantos pontos falhos e por que identificaram Menezes como um dos suspeitos, já que ele não se parecia em nada com as fotos dos homens-bomba", diz o The Guardian. O jornal também questiona a decisão dos policiais de deixarem Menezes subir no ônibus e afirma que "também houve falhas em perceber o quão rápido ele poderia entrar na estação de metrô". Uma autoridade da polícia teria dito ao jornal que "quando a verdade vier à tona, vai ser horrível". Política questionada Em reportagem de capa, o Financial Times afirma que desde os atentados do dia 7 de julho, a polícia esteve diante de outros sete casos em que o suspeito quase foi morto. O jornal cita a entrevista do chefe da Polícia Metropolitana, Ian Blair, a um canal de TV britânico, na qual ele disse: "Eu sei que houve 250 incidentes desde o dia 7 de julho em que pensamos se estávamos diante de um homem-bomba. (...) Sei que houve sete ocasiões em que quase atiramos, mas não o fizemos". Para o FT, os comentários parecem ser uma tentativa da polícia de pôr em contexto a morte de Menezes e explicar como funciona a política de atirar para matar. Mas, segundo o jornal, a declaração “pode sair pela culatra”. "A admissão pode aumentar o medo dos londrinos de que a controversa política possa ser usada mais amplamente. Ela também levanta questões sobre a morte de Jean Charles de Menezes", afirma o FT em outro artigo. Em uma terceira reportagem, o FT afirma que o responsável pelo inquérito que vai apurar as circunstâncias da morte do eletricista, Nick Hardwick, já indicou que vai investigar não apenas os policiais envolvidos na ação no local, mas também os superiores que deram a ordem de atirar, bem como toda a cadeia de comando acima deles. A policial que deu a ordem Também na Grã-Bretanha, o Daily Mail traz um perfil da oficial que deu a ordem para que os policiais atirassem em Menezes. Segundo o jornal, a comandante Cresseda Dick deu a ordem depois que policiais disseram a ela que Menezes – cuja identidade ainda não era conhecida – estava se comportando de maneira suspeita depois de deixar o prédio que estava sob vigilância. "Os policiais à paisana foram confundidos pela decisão dele de usar um casaco em uma manhã quente e, acreditando que ele era um homem-bomba, pediram orientação urgente enquanto o seguiam até a estação de Stockwell, no sul de Londres." O Daily Mail ressalta que ela teve poucos minutos para tomar a decisão e levanta dúvidas sobre o futuro da comandante na polícia. |
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