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Atualizado às: 27 de julho, 2005 - 10h31 GMT (07h31 Brasília)
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EUA estão abandonando a expressão 'guerra ao terror'

Presidente americano George W. Bush
Intenção é mostrar que confronto vai além do aspecto militar
A administração do presidente americano George W. Bush está abandonando a expressão "guerra ao terror" para tentar expressar melhor a batalha contra Al Qaeda e outros grupos, tentando dar uma conotação de que a luta é ideológica e também uma missão militar.

Enquanto a expressão, usada pela primeira vez por Bush logo depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, ainda é ouvida de vez em quando, o governo americano afirma que está se acostumando com a nova linguagem.

Nos últimos dias, figuras importantes da administração usaram publicamente expressões como "uma luta global contra os inimigos da liberdade" e falaram da necessidade de usar todas as "ferramentas dos estadistas" para derrotar os extremistas.

A mudança dos termos usados ocorre num momento em que aumentou o pessimismo do público americano a respeito da guerra no Iraque e à ligação entre guerra e a luta contra o terrorismo.

Uma autoridade da Casa Branca disse à BBC que a medida não significa uma mudança de política, mas visa dar uma perspectiva mais ampla à "natureza evolutiva" da luta.

'Influência econômica'

O secretário da Defesa americano, Donald Rumsfeld, já usou a nova linguagem na sexta-feira, ao elogiar um oficial da Marinha que serviu o país enquanto os Estados Unidos "realizam uma luta global contra os inimigos da liberdade, os inimigos da civilização".

No dia seguinte, o conselheiro nacional de segurança, Steven Hadley, foi o co-autor de um artigo no jornal The New York Times no qual estabeleceu a atual corrente de pensamento.

"Ação militar é apenas uma parte da guerra ao terrorismo. Ao mesmo tempo, entretanto, devemos usar todas as ferramentas dos estadistas, influência econômica e iniciativa privada para esta guerra", escreveu Hadley.

"Pessoas que amam a liberdade, no mundo todo, precisam se unir de todas as formas possíveis – comunicações, comércio, educação – para apoiar os muçulmanos corajosos que estão falando a verdade sobre sua religião e história, com orgulho, e tomando sua história de volta daqueles que a tomaram para usá-la para o mal."

A mais importante autoridade militar americana falou de uma forma semelhante na segunda-feira.

"O problema a longo prazo é diplomático e econômico. Na verdade, mais diplomático, econômico e político do que militar. E devemos nos concentrar nisto no futuro", disse o general Richard Myers disse em uma reunião no Clube Nacional de Imprensa.

Críticas

No início do mês, o ex-ministro do Exterior britânico, Robin Cook, criticou a linguagem usada pelo presidente americano, afirmando que, ao invés de isolar os terroristas, incomodou os muçulmanos em todo o mundo.

"Acho que o problema com a política de George W. Bush é que ele continua falando sobre isso como guerra ao terror como se houvesse uma solução militar, e não há", disse Cook, um notório crítico da guerra no Iraque.

Mas, enquanto o presidente americano continua a falar de "lutar contra o inimigo", seus discursos recentes também falam de liberdade, democracia e o choque entre ideias no mundo todo.

"Estamos revisando constantemente as formas de protegermos nossos cidadãos do terrorismo e precisamos nos adaptar. A 'guerra' é mais do que uma resposta militar, é uma batalha de ideias e uma luta contra o extremismo, e todo o do governo americano e seus aliados no mundo precisam ser chamados para esta luta", disse uma autoridade da Casa Branca.

"No Afeganistão, o regime extremista do Talebã não tem mais sua base de operações, foi um local claramente identificado e que requeria uma guerra. Há um governo eleito democraticamente no país."

"É um caso diferente em Londres, onde você tem, por assim dizer, uma segunda geração de muçulmanos britânicos influenciados por um clérigo radical", acrescentou.

Evolução lenta

O general James Conway, um importante comandante militar americano, disse em uma reunião no Pentágono que ocorreram "discussões filosóficas" com os aliados americanos a respeito da frase "guerra ao terrorismo".

"Nos falaram que, na verdade, 'guerra global ao terrorismo' traduz bem em vários idiomas. Então acho que (a expressão) continua a fazer parte das discussões", disse.

Um porta-voz do Pentágono afirmou que o título de um novo manual para comandantes combatentes sugere uma evolução lenta na direção de renomear a missão criando uma certa distância de seu aspecto militar.

O Plano Nacional Militar Estratégico para a Guerra ao Terrrorismo, lançado em março, direciona os comandantes a se concentrarem em oito áreas essenciais ao terrorismo.

Estas áreas incluem verbas e apoio ideológico, abrigos, comunicação e movimentação.

A frase "guerra ao terrorismo" foi usada pela primeira vez na imprensa ocidental na Grã-Bretanha, em referência a uma série de ataques na área dominada pelos britânicos na Palestina, no final da década de 40.

Mais tarde foi empregada com freqüência pelo presidente americano Ronald Reagan, na década de 80.

Mas desde os ataques de 11 de setembro de 2001 se transformou no slogan para a luta liderada pelos americanos contra o terrorismo e governo que os ajudam, geralmente indicada como "a guerra global contra o terrorismo".

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