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Atualizado às: 25 de julho, 2005 - 19h27 GMT (16h27 Brasília)
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Inquérito sobre morte de Jean 'deve durar meses'

Investigador diz que não partirá do princípio que polícia é culpada
Investigador diz que não partirá do princípio que polícia é culpada
O presidente do comitê independente que investiga a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes disse acreditar que a investigação "deve durar meses".

Nick Hardwick, que preside o comitê, disse à BBC Brasil que esse é o prazo mais provável. "Espero conseguir concluir a investigação em meses. Não devem ser anos, nem dias", acrescentou.

No passado, investigações sobre pessoas mortas pela polícia britânica chegaram a se arrastar por anos. É o caso do escocês Harry Stanley, no bairro de Hackney (leste de Londres), em 1999. O caso não foi resolvido até hoje.

Mas os representantes do comitê afirmam que as regras em vigor no período eram distintas das atuais e que o comitê conta com uma equipe própria de investigadores, o que deve acelerar o processo.

Especulação

Nick Hardwick afirmou que o inquérito não partirá de qualquer pressuposto de que a polícia é culpada.

"Não é possível é especular antes de começarmos. Não estamos nos precipitando em tirar conclusões. Tomaremos decisões baseados em fatos."

"Não nos guiamos pelo que os jornais estão divulgando. Não sabemos o que aconteceu. Quando soubermos, poderemos fazer indagações. Pode ser que os relatos de jornais estejam corretos, pode ser que não. Começamos com uma folha em branco e tomaremos decisões a partir daí, do que descobrirmos. Não a partir de informações de segunda mão", acrescentou.

O investigador-chefe informou que a equipe que realiza o inquérito procurará passar informações à família de Jean Charles. "Procuraremos dar respostas a todas as indagações da família e asseguramos que nossa equipe será totalmente independente", afirmou Hardwick.

Família

Mas ele acrescentou que as informações passadas aos familiares de Jean Charles de Menezes serão dadas dentro de certos limites.

"Tentaremos fornecer a eles o máximo de dados sobre nosso modo de trabalho, mas haverá coisas que não poderemos compartilhar com eles, até porque estamos lidando com questões de segurança".

Como o inquérito é cercado de relativo sigilo, até mesmo as imagens do circuito interno de TV da estação de metrô de Stockwell, onde Jean Charles foi morto, não serão liberadas imediatamente.

"Só iremos liberar as imagens até que as investigações estejam concluídas", afirmou Hardwick.

A equipe de investigadores que participa do inquérito é formada por agentes aposentados da Polícia Metropolitana de Londres e investigadores que atuam em setores aduaneiros, no mercado musical e no setor de seguros.

"É essa mistura que funciona. Mas, claro, é preciso um grande profissionalismo", disse Hardwick.

Nick Hardwick se tornou o presidente da comissão que investiga ações da polícia em dezembro de 2002. Antes disso, ele presidiu o Conselho de Refugiados da Grã-Bretanha, por oito anos.

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