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Vendas 'indiretas' ao Iraque ajudam exportações do Brasil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os problemas no Iraque ainda impedem empresas brasileiras de ampliarem negócios por lá, mas indiretamente o país vem ajudando a aumentar as exportações do Brasil. Um exame dos dados do Ministério do Desenvolvimento sobre exportações para o Oriente Médio mostra que, desde a guerra, as exportações brasileiras para os vizinhos do Iraque (Síria, Kuwait e Jordânia, em especial) cresceram num ritmo maior do que da média das vendas para região. Na comparação do primeiro semestre deste ano com o mesmo período de 2003, o acréscimo nas exportações foi de 575% para a Síria, 310% para a Jordânia e 250 % para o Kuwait. Para o Oriente Médio como um todo, o crescimento foi de 60%. O desenvolvimento de laços comerciais mais profundos do Brasil com a região – em especial a visita feita pelo presidente Lula em 2003 – pode explicar parte do aumento mas não houve em nenhum país algum fato extraordinário que justificasse um desempenho acima do normal. “Não é possível que a exportação tenha aumentado de um ano para outro em quase 600% num mercado já conhecido dos empresários brasileiros (como a Síria). Com certeza grande parte destes produtos brasileiros está indo para o Iraque”, disse o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Iraque (CCIBI, fundada há dois anos em São Paulo), Jalal Chaya. Sem estimativas Embora analistas, empresários e diplomatas admitam que haja produtos brasileiros fluindo para o Iraque, não há nenhuma estimativa quanto aos volumes.
O governo brasileiro registra o primeiro destino dos produtos que saem do Brasil mas revendas posteriores – muitas vezes feitas por negociantes estrangeiros sem envolvimento do produtor brasileiro – dificilmente são acompanhadas. “Sabemos que já há produtos alimentícios, hospitalares e partes de caminhões brasileiros chegando ao Iraque, mas é é impossível saber quanto”, disse Chaya. “Temos que conseguir colocar produtos diretamente no Iraque porque depois de passarem pelos intermediários os produtos brasileiros chegam para os iraquianos com um ágio de 20% a 30%”, completou. O setor comercial da embaixada brasileira na Jordânia – onde fica o núcleo Iraque do Itamaraty – disse que é natural que com o Iraque voltando a comprar, países vizinhos sejam usados como rota. A embaixada, no entanto, não acompanha as operações e também não tem estimativas de volume. Um diplomata brasileiro no Oriente Médio disse que já conversou “informalmente” sobre o assunto com algumas empresas brasileiras mas que nenhuma delas comunicou oficialmente ao Brasil que tipo de operações está realizando. Café A Companhia de Café Cacique – produtora da marca Café Pelé – é uma das companhias brasileiras que estão usando estas operações triangulares para chegar ao mercado iraquiano. O diretor-adjunto de marketing internacional da empresa, Haroldo Bonfá, disse que um intermediário na Jordânia cuida das negociações com o Iraque o do reenvio do café para lá. “Sabemos que, infelizmente, a situação de segurança no Iraque ainda é muito complicada e não temos condições de fazer negócios diretamente lá dentro por enquanto, o que esperamos que vá acontecer no futuro”, disse o executivo. A Cacique já tinha importantes exportações para o Iraque antes da primeira guerra do Golfo, no início dos anos 90 – época em que o país tinha fortes relações comerciais com o Brasil – e mesmo durante o embargo conseguiu licença da ONU para continuar vendendo o Café Pelé como "artigo de primeira necessidade”. “Quando capturaram Saddam Hussein, saiu no jornal The New York Times uma foto de um dos esconderijos dele com um vidro de Café Pelé na prateleira”, conta Bonfá. Feira Entre 10 e 14 setembro deste ano, a CCIBI e a Agência de Promoção de Exportações (Apex) do Governo Federal vão realizar em Amã, na Jordânia, a Feira “Brasil na Reconstrução do Iraque”. Segundo Chayad, já há inscrições para 55 estandes reunindo 85 empresas brasileiras. “O Iraque já foi um mercado importantíssimo para o exportador brasileiro e pode voltar a esta posição no futuro”, disse. O empresário brinca dizendo que o Iraque precisa importar tudo, “menos tâmaras e petróleo”. “Há oportunidades em todas as áreas mas há setores como o alimentício, de autopeças, de equipamentos hospitalares e alguns outros em que o Brasil está numa posição muito boa para brigar pelo mercado”. |
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