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A sombra da Al-Qaeda chega a Londres | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Após os atentados coordenados contra o sistema de transporte de Londres, surgiram rapidamente as discussões sobre a possível conexão entre as explosões desta quinta-feira e a onda de violência lançada pela rede Al-Qaeda ao redor do mundo nos últimos anos. Se for estabelecida a conexão, ela mostraria que o grupo está vivo e atuante, apesar de ser o principal alvo da "guerra contra o terror" liderada pelos Estados Unidos e da vigilância da polícia e das forças de segurança em todo o mundo. Acredita-se que a Al-Qaeda seja uma rede dedicada à remodelação do mundo muçulmano e do Ocidente através da violência. Aparentemente, vários de seus membros e líderes foram presos ou assassinados em vários países, mas é difícil dizer se essas ações realmente afetaram a capacidade da organização. Na verdade, por causa da misteriosa natureza da organização e da falta de transparência das agências que a combatem, é mais provável que nós não saibamos muito sobre o atual estado da rede. 'A Base' Até os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, o Afeganistão era um reduto da Al-Qaeda, cujo nome, que significa "a base" em árabe, aparentemente deriva dos campos de treinamento de militantes no país. A invasão americana ao Afeganistão dispersou bastante a presença do grupo no país, apesar de o Talebã – o antigo regime do Afeganistão e que tem laços com a Al-Qaeda – ainda estar ativo em algumas regiões. Acredita-se que alguns guerrilheiros treinados pela Al-Qaeda tenham se dispersado ou talvez se reagrupado em outros campos de combate, como a Arábia Saudita. Ao mesmo tempo, centenas, senão milhares de suspeitos de pertencer ao grupo, estão detidos sem acusações formais em prisões americanas ao redor do mundo. Com certa freqüência, anuncia-se a prisão de alguma importante figura da organização – um dos grandes avanços foi a detenção de Khalid Sheik Mohammed, suspeito de ser o líder militar da Al-Qaeda, no Paquistão, em 2003. Mais recentemente, Abu Faraj Al-Libbi, supostamente um dos comandantes ligados a Osama Bin Laden, foi capturado, também no Paquistão. Mas ainda há dúvidas se Libbi realmente tinha a influência internacional de Mohammed, apontado como o cérebro por trás de 11 de setembro. Libbi é acusado de envolvimento em dois atentados contra a vida do presidente paquistanês Pervez Musharraf. O próprio Bin Laden e seu principal comparsa, o egípcio Ayman al-Zawahiri, vêm conseguindo escapar das perseguições, apesar de várias "quase prisões" anunciadas pelos governos do Afeganistão e do Paquistão. Mas o envolvimento deles nos atentados cometidos em nome da organização em todo o mundo ainda não é claro. Guerra global Uma medida sobre a situação da Al-Qaeda pode ser conseguida pelos atentados ligados ao grupo, que ocorrem com certa regularidade. Os atentados de Londres se assemelham em estilo e escala à série de recentes ataques atribuídos à rede, apesar de nem sempre ser possível estabelecer a responsabilidade, a não ser por anúncios clamando a autoria. Os atentados de Bali, Istambul, Madri e Casablanca têm as mesmas características – explosões coordenadas em locais densamente povoados, principalmente por civis. Os atentados de 2002 contra as boates em Bali, que causaram a morte de 202 pessoas, foram atribuídos ao grupo extremista Jeemaah Islamiah, da Indonésia, que, supostamente, tem ligações com a Al-Qaeda. Em novembro de 2003, Istambul foi atingida por dois ataques coordenados em dez dias, o primeiro contra sinagogas e o segundo contra interesses britânicos. O terror atingiu o coração da Europa ocidental em março do ano passado, quando atentados contra trens deixaram 191 mortos em Madri. Também houve ataques coordenados na Arábia Saudita, Quênia e Marrocos, provocando vítimas e prejuízos. Paquistão, Iêmem e outras cidades da Indonésia também foram alvo de ataques. Há algum tempo virou quase lugar comum dizer que a Grã-Bretanha estava prestes a ser alvo de um atentado da Al-Qaeda como o de Madri. O apoio britânico à política externa do presidente americano, George W. Bush, particularmente no Iraque e no Afeganistão, tornaram o país um alvo óbvio para a Al-Qaeda. Os ataques ocorreram. Agora falta descobrir quem são os responsáveis. |
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