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Palestinos vêem sinal de 'repressão cultural' do Hamas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A proibição de um festival de dança na cidade de Qalqilia, na Cisjordânia, causou temores entre alguns palestinos de que o grupo Hamas, que controla a prefeitura da cidade, esteja tentando exercer repressão cultural e imponha leis religiosas em dezenas de cidades que conquistou nas últimas eleições. A prefeitura de Qalqilia proibiu a realização do Festival Palestino de Música e Dança, no estádio de futebol da cidade. Segundo porta-vozes da prefeitura, o festival é "imoral" e "homens e mulheres cantando juntos é contra as leis da religião islâmica". Os porta-vozes também disseram que as danças mistas, de homens e mulheres, que seriam realizadas no estádio "poderiam danificar a grama do estádio". Dezenas de grupos de direitos humanos palestinos estão organizando um abaixo-assinado contra a decisão da prefeitura. Muro Haleda Jarar, que é ativista em grupos de defesa dos direitos das mulheres e na Coalizão Palestina da Sociedade Civil, disse à BBC Brasil que neste ano o festival é dedicado à luta contra a barreira que Israel está construindo na Cisjordânia. "É um absurdo que a prefeitura de Qalqilia - que é a cidade mais prejudicada pelo muro, pois está cercada de todos os lados - proíba a realização de um ato cultural de resistência ao muro", disse Jarar. "Todas as ONGs palestinas estão se unindo para protestar contra a proibição." Uma das organizadoras do festival, Muzna Shihabi, afirmou: "o Hamas não tem o direito de interferir na vida social e a religião não proíbe as pessoas de cantar ou de se divertir". "Inaceitável" Mustafa Barguti, líder da Iniciativa Nacional Palestina, que foi candidato a presidência nas últimas eleições, se diz indignado. "Este ato da prefeitura do Hamas é inaceitável e constitui uma violação do princípio básico da liberdade cultural". Barguti disse a BBC Brasil que este pode ser um indício de problemas futuros. Segundo ele, a Autoridade Palestina está negociando uma parceria política com o Hamas e "o Hamas devera fazer concessões politicas, em troca a Autoridade Palestina devera fazer concessões de caráter social e cultural". De acordo com Barguti essas concessões poderão afetar a vida social dos palestinos. Já Muzna Shihabi se diz otimista. "O Hamas não tem o poder para transformar a Palestina em um Irã, não acredito que isso aconteça, pois a maioria dos palestinos quer uma sociedade secular e democrática." O ex-prefeito de Qalqilia, Maruf Zahlan, atribui a sua derrota nas eleições e a vitória do Hamas a Israel. "A construção do muro ao redor da cidade transformou Qalqilia em uma prisão e levou os habitantes ao desespero, e foi esse desespero que os levou aos braços do Hamas e não a religião". De acordo com Zahlan, a prefeitura atual cometeu "um grande erro" ao proibir o festival. "Eles perderam uma ótima oportunidade de mostrar o sofrimento de Qalqilia ao mundo e não têm o direito de interferir desta forma na vida dos cidadãos". Na semana passada o Hamas rejeitou o convite do primeiro-ministro palestino, Ahmed Korei, para formar um governo de união nacional. O grupo islâmico, que está se fortalecendo cada vez mais, pode representar um desafio ao partido do poder, o Fatah, e pretende participar das eleições parlamentares, que deverão ser realizadas até o fim do ano. |
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