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Artistas falam de pobreza, público quer diversão | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os artistas podem até estar falando da pobreza na África, mas uma boa parte das 200 mil pessoas que foram ao Hyde Park para o Live 8 neste sábado parecia estar mais interessada em se divertir. A reportagem da BBC Brasil teve muita dificuldade de encontar alguém que dissesse estar no concerto para pressionar os líderes do G8 a aumentar a ajuda ao continente. "Vim aqui para ver as pessoas que eu gosto, Madonna, Sting, Mariah Carey e o Pink Floyd reunido somente para este evento depois de tantos", disse a brasileira Cristina Euthymiou, que mora no interior da Inglaterra e veio a Londres com o marido britânico apenas para o show. "Acho que toda esssa festa não deve resultar em muita coisa concreta, mas resolvi vir aqui porque de qualquer forma acho que é bom começarem a espalhar a idéia". Cético A escocesa Clare Leblonde viajou a noite inteira de GLasgow para Londres, e chegou às 6h ao Hyde Park. "É algo que eu nunca vou esquecer, principalmente quando os The Killers tocarem. Os protestos vão ficar para Edimburgo", disse Clare Leblonde. "Eu sou meio cético em relação a que esse show vai mudar a vida das pessoas na África, mas eu ganhei os ingressos e não poderia deixar de ver gente como Pink Floyd tocar", disse Rob Kennard, que trouxe a filhinha Anne de 8 meses. "Ela está curtindo muito", afirmou. O brasileiro Otávio Dutra viajou de Araçatuba (SP) especialmente para o show depois que uma parente, que vive em Londres, ganhou ingressos. "Acho esse evento muito legal para conscientizar as pesssoas, mas eu gastei todo esse dinheiro para ver o Pink Floyd", disse Dutra. Apesar de a maioria na platéia elogiar a escolha dos artistas e as músicas tocadas, todos grandes sucessos internacionais, muita gente reclamou da organização. Filas de pessoas de até dois quilômetros se formaram ao redor do Hyde Park, com aqueles que, mesmo com ingresso, tinham dificuldades para entrar no show. Por causa disso, muita gente só conseguiu entrar depois que o show já tinha começado. "Acho uma falta de respeito um festival dessa importância e tamanho ter apenas uma entrada para nós que ganhamos o convite", disse o fazendeiro Peter Dell, que viajou seis horas de carro com a mulher para ver o Live 8. "Ficamos imprensados na fila." Telão Além disso, os presentes reclamam que tem poucos baheiros para a quantidade de gente. "Eu esperava que o festival fosse ser grande, mas não tão gigantesco. Até agora não consegui ver nada do palco, só no telão. Acho que isso quebra um pouco o clima da festa", disse a dona de casa Shirley Rogerfon. Mas ela disse esperar que Madonna e Pink Floyd levantem a animação do show. "Afinal, são grandes nomes da música que estão aqui." |
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