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Lula admite que há 'um certo mal-estar' no Mercosul | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu nesta segunda-feira, durante a reunião de cúpula do Mercosul, em Assunção, que as iniciativas do bloco não têm se traduzido em benefícios reais, principalmente para os países mais pobres da região. “Não há como esconder a existência de um certo mal-estar”, disse o presidente. “Faltou-nos, em muitos momentos, agilidade para pôr em prática decisões que adotamos e compromissos que assumimos.” De acordo com Lula, os problemas no Mercosul têm feito com que “questionamentos” e “recriminações mútuas” persistam dentro do bloco. Mas, na opinião do presidente, os obstáculos podem ser superados “com ousadia e determinação”. “Temos que encontrar soluções criativas para os setores afetados por situações adversas”, afirmou. “Soluções que atendam as dificuldades conjunturais, mas que apontem no sentido de melhorar a nossa competitividade como bloco.” Volta antecipada Logo depois de discursar no encontro em Assunção, Lula se retirou do local onde se realizava a cúpula e deixou a capital paraguaia. O retorno do presidente a Brasília foi antecipado em cerca de duas horas. Pouco depois, Lula anunciou a escolha da ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, para substituir José Dirceu no cargo de ministro-chefe da Casa Civil. Rousseff acompanhou Lula durante a viagem ao Paraguai. Oficialmente, a função da ministra na comitiva era participar dos debates da cúpula do Mercosul sobre a criação de um ‘anel energético’ que deverá integrar a indústria de gás natural de Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Peru. No discurso ainda em Assunção, Lula afirmou que o Brasil tem consciência de suas obrigações e responsabilidades como maior economia do bloco. O presidente afirmou, no entanto, que não é correto esperar que todas as iniciativas venham dos governantes. “Para que a integração se enraíze de fato em nossos países e produza os frutos que queremos colher, todos – empresários, trabalhadores, parlamentares e sociedade civil – devem olhar para além de seus interesses específicos e momentâneos”, disse. “Não devemos ceder à tentação das soluções fáceis para questões pontuais de comércio, que não refletem a realidade maior dos ganhos que a integração oferece”, acrescentou Lula. As declarações do presidente foram uma espécie de reação ao fato de que uma das principais divergências dentro do Mercosul permanece sem solução: os desequilíbrios nas relações comerciais entre os membros do bloco ainda são motivo de reclamações de argentinos e paraguaios. A proposta apoiada por Argentina e Paraguai, que prevê a cobrança de tarifas de importação dentro do Mercosul quando determinado setor da economia de um dos membros do bloco sentir os efeitos de um forte desequilíbrio, enfrenta a resistência do Brasil. |
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