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Saída de Dirceu pode agravar crise, diz analista americano | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A saída do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, pode agravar a crise gerada pelas denúncias do pagamento do "mensalão", na opinião do brasilianista americano Frank McCann. “Saindo, ele está aumentando a temperatura (da crise), em vez de acalmar os jornais e as pessoas em geral. Assim, ele deixa mais suspeitas, deixa mais perguntas ainda em torno dessa crise”, afirma o professor de História da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos. O analista considera “estranho” que um ministro deixe o cargo por acusações das quais se diz inocente e acredita que a saída de uma pessoa “tão próxima do presidente” possa acabar justamente reforçando as suspeitas que o governo quer dissipar. “Não sei o que ele pode fazer dentro do Congresso como simples deputado que ele não pode fazer na Casa Civil.” Dirceu foi alvo de denúncias do deputado Roberton Jefferson, do PTB, que alega que o ministro sabia do suposto esquema do pagamento de mesadas a parlamentares da base aliada em troco de apoio ao governo no Congresso. Investigações Já na avaliação do professor do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de George Washington James Ferrer, o impacto da saída de Dirceu sobre a crise vai depender do rumo das investigações sobre as denúncias envolvendo o PT. “Se Jefferson puder provar, a saída não será suficiente (para conter a crise). Se não tiver provas, a saída de Dirceu pode ser o preço necessário para sobreviver a esta crise”, afirma Ferrer. O brasilianista pondera, porém, que se Dirceu realmente estiver implicado no escândalo, o afastamento veio tarde demais. Os dois estudiosos do Brasil consideram a atual crise potencialmente mais grave do que a derrubou o presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. “A crise de Collor está dentro da tradição política brasileira, mas o PT envolvido numa crise desse tipo, um partido que todo mundo achava que ia ser honesto, diferente, causa um choque muito grande. E pelo (suposto) envolvimento de vários partidos e muito dinheiro. Isso vai ter um impacto grande”, afirma Ferrer. Para Ferrer, a crise ainda não ameaça diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula, mas, ao enfraquecer o PT, pode dificultar ainda mais a construção de uma base política no que lhe resta de governo. “Isso implica que ele não vai poder fazer muita coisa durante o resto do mandato e este é o problema para o Brasil e para o partido.” Já McCann alerta que o escândalo pode comprometer a luta do Brasil para adquirir mais peso político no cenário internacional, como a campanha por um assento no Conselho de Segurança da ONU. Para o analista, a comprovação de um esquema de corrupção da magnitude que foi denunciada poderia pôr a perder os esforços feitos até agora junto à comunidade internacional. O historiador diz que é muito importante agora que o governo lute para mostrar ao mundo que o país não está “voltando ao passado”. |
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