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Atualizado às: 14 de junho, 2005 - 15h59 GMT (12h59 Brasília)
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Cientistas desenvolvem neurônios em laboratório
Neurônios
O cérebro continua a produzir neurônios depois de adulto
Cientistas americanos anunciaram ter reproduzido neurônios - células adultas do cérebro - em uma geração controlada, em laboratório.

A expectativa é de que a técnica - até agora testada apenas em células animais - eventualmente permita aos cientistas produzir em laboratório um número ilimitado de células do cérebro de uma determinada pessoa.

Os pesquisadores acreditam que a técnica poderá beneficiar pacientes de doenças como o Mal de Parkinson ou epilepsia.

O estudo do Instituto do Cérebro McKnight foi publicado pela revista especializada americana Procedimentos da Academia Nacional de Ciências.

Esta não é a primeira vez que células-tronco imaturas são manipuladas em laboratório para se tornar neurônios.

Mas os pesquisadores afirmam que ninguém, até hoje, havia conseguido replicar o processo de maturação das células que ocorre no cérebro de forma tão completa e detalhada em um laboratório.

Processo

Os cientistas usaram a mesma técnica já usada para produzir células sangüíneas adultas fora do organismo.

Eles coletaram células-tronco do sistema neurológico de camundongos em um estado primitivo de desenvolvimento e usaram substâncias químicas para induzir a maturação.

Durante o processo, eles fotografaram imagens das células a cada cinco minutos usando um microscópio especial.

Com as fotos, os cientistas criaram um "curta-metragem" mostrando o desenvolvimento das células passo a passo, até elas se tornarem neurônios.

Eles também acompanharam as mudanças fisiológicas registradas durante o processo com mais detalhes do que jamais havia sido feito.

Caminho do cérebro

Pouco mais de dez anos atrás, cientistas se deram conta de que o cérebro continua a produzir pequenas quantidades de novas células mesmo na fase adulta.

Células-tronco se desenvolvem naturalmente em neurônios ao passar por um "caminho neural" que começa na zona subventricular do cérebro e termina na região conhecida como bulbo olfativo.

Mas este estudo mostrou que é possível desenvolver essas células fora do ambiente cerebral.

O pesquisador Bjorn Scheffler disse que "basicamente, nós poderíamos congelar essas células até quando fosse preciso".

"Nós então descongelaríamos as células, iniciaríamos o processo de geração de novas células e produziríamos uma tonelada de novos neurônios."

O neurocirurgião Eric Holland, do Centro de Câncer Memorial Sloan-Kettering, em Nova York, disse que se a técnica permitir a regeneração de partes do cérebro afetadas por doenças como o Mal de Parkinson ou a Doença de Huntington, ela terá grande impacto na medicina.

Mas o médico britânico Jim Cohen, do Centro de Desenvolvimento Neurobiológico do Conselho de Pesquisa Médica, disse à BBC que "a experiência representa um avanço técnico, mas é relativamente secundária e não é particularmente uma novidade".

"O mais importante, como é o caso para todos os modelos de cultura de tecidos, é que os cientistas ainda estão a uma grande distância de provar que essas células têm algum potencial terapêutico."

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