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Vaca Díez defende eleições gerais na Bolívia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O senador boliviano, Hormando Vaca Díez, presidente do Congresso, defende eleições antecipadas para o Congresso, junto com a eleição para presidente, que ainda não tem data marcada, mas deve ocorrer até o fim do ano. Na prática, isso significa a dissolução do Congresso atual, que tem mandato até agosto de 2007, e pode representar a não reeleição de vários deputados e senadores atuais. Em entrevista à BBC Brasil, Vaca Díez disse que está consciente disso, mas que é preciso atender aos anseios da população, já que as pesquisas mostram que mais de 80% querem eleições gerais. “Isso é necessário para dar legitimidade tanto ao Poder Executivo como Legislativo”, afirmou. “Eu sei que algumas forças políticas não estão em seu melhor momento para concorrer às eleições, mas acho que deve prevalecer a necessidade de dar uma solução completa”, disse o senador. Base eleitoral O presidente da Bolívia, Eduardo Rodriguez, defendeu, no fim de semana, a realização de eleições gerais até o fim do ano, mas a decisão final depende do Congresso. Por enquanto, a Constituição só prevê a eleição para presidente e vice-presidente. A disposição do presidente do Congresso aumenta a possibilidade de que o Legislativo concorde com a mudança. Vaca Díez, que está em Santa Cruz de la Sierra, sua base eleitoral, diz que volta a La Paz para começar, na terça-feira, a negociação com outros deputados e senadores para garantir a aprovação da mudança constitucional que permite antecipar as eleições. “Esta vai ser uma semana muito intensa de busca de consenso”, disse. Ele defende as eleições gerais até dezembro, mas não sabe quando o assunto deve ser debatido no Congresso. Vaca Diez disse que só vai apresentar o projeto quando tiver garantias de que conseguirá a aprovação de dois terços dos parlamentares. “Para isso temos que negociar e nos assegurar que vamos ter aprovação. Seria um erro submeter ao voto sem um acordo prévio, porque se for derrotado o projeto não pode ser apresentado novamente”, afirmou. Reivindicação Como presidente do Senado, Vaca Díez era o sucessor constitucional de Carlos Mesa, que por sua vez foi eleito vice-presidente e assumiu com a saída de Gonzalo Sánchez de Lozada, em outubro de 2003. Ele renunciou ao cargo atendendo a um apelo de Mesa, que temia o acirramento dos movimentos populares de La Paz e da cidade vizinha de El Alto, se Vaca Díez assumisse. Existe uma grande divisão na sociedade boliviana entre os Estados (chamados de Departamentos) do leste do país, na planície, com mais recursos naturais e parcela maior de população de origem européia – onde fica Santa Cruz – e os Estados do Oeste, onde fica La Paz, nas montanhas, onde a grande maioria da população de origem indígena. As eleições gerais são uma das reivindicações da Federação das Associações de Moradores de El Alto, lideradas por Abel Mamani, o grupo que promoveu os protestos e o cerco a La Paz nas últimas semanas. Eles dizem que o Congresso atual não representa os interesses do povo boliviano e querem a renovação também do poder legislativo. Vaca Díez é visto como possível candidato presidencial, mas evitou confirmar a intenção. “Primeiro estou comprometido a conseguir os acordos no Congresso que permitam a realização de eleições gerais”, afirmou. |
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