|
Pessoas que moram no Iraque contam como é a vida no país | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A BBC realiza nesta terça-feira um dia especial de cobertura dos acontecimentos no Iraque. Vários moradores do país estão participando do evento, dando seus depoimentos sobre como é a vida no país. Leia abaixo os trechos de alguns depoimentos. Omar Abdulkader, jornalista, Suleymaniya "A vida aqui é normal. É fácil ir e vir dos bares, cafés e restaurantes. E não apenas para os curdos. Se você andar por um tempo, encontrará estrangeiros de olhos azuis caminhando sozinhos na rua e eles se sentem seguros. Por 13 anos, essa área ficou fora de alcance do regime de Saddam, então as pessoas sofriam de falta de energia e combustível. Mas recentemente as coisas começaram a melhorar. Na região curda, agora há energia por 20 horas ao dia, há água e temos combustível da Turquia, que tem de vir pelo Curdistão primeiro antes de chegar no Iraque." Tarik al-Ani, estudante, Al-Anbar "A situação está normal aqui, muito melhor do que há poucos meses, mais ou menos na época das eleições. A segurança está melhor, o mercado está melhor, todas as coisas ficaram melhores. Há importantes mudanças em ambos os lados. Os insurgentes não estão ativos, eles estão quietos. Os soldados da coalizão não estão tão ativos – não escutamos tanto os aviões F16 americanos sobre nossas cabeças. Agora, existem sorrisos, atividades normais, mais compras. Não há medo." Hajah, professora, Bagdá "Sou professora de inglês no ensino secundário. As coisas que estão melhorando são os aumentos nos salários. Isso estimulou mais professores a voltar às escolas e dar mais e mais (de si) porque, no final do mês, eles têm melhores salários para comprar o que precisam. Mas há tantas coisas que ainda são difíceis. Eletricidade é um problema e ameaça a segurança dos alunos. Mas há liberdade agora, você pode caminhar, falar e se expressar. Tem ainda o problema das meninas. Eu tenho 55 alunas em uma sala de aula. Eles têm de abrir mais escolas e recrutar mais professores porque é difícil ensinar uma língua estrangeira com 55 alunas em uma classe." Osama Basil, engenheiro civil, Bagdá "Se você adquire contratos de construção, você tem que ser seletivo. Qualquer projeto servindo as autoridades ou forças multinacionais pode colocá-lo em perigo porque você é acusado de cooperar com o inimigo. Os riscos que enfrentamos em nosso dia-a-dia não são apenas os dos carros-bomba, que ganham a atenção da imprensa. Nós também temos problemas criminais como seqüestros ou assassinatos. Na minha família, meu pai foi seqüestrado no início do ano. Tivemos que negociar com os seqüestradores e pagar um resgate. Agora ele está com a gente. Temos eletricidade por apenas oito horas ao dia durante o nosso famoso verão quente. As pessoas precisam se levantar muito cedo de manhã não apenas por causa do trabalho, mas também por causa da falta de energia. Isso afeta a todos nós. Posso estar sentado junto com a minha família e, de repente, acaba a luz, então temos que mudar para o que chamamos de geradores de rua. Eu pago um dinheiro para isso (para poder usar os geradores), mas eles mal conseguem ligar as luzes da casa. Não podemos nem pensar em ter um ar condicionado." Sanaa, farmacêutica, Bagdá "As coisas estão piorando aqui. A vida era mais fácil durante o primeiro ano após a guerra. Eu não deveria ficar 24 horas preocupada com a segurança do meu filho, mas esse é o caso agora. Você não está segura. Você precisa trancar tudo agora, suspeitando de tudo. Eu tranco as portas, tranco o carro e essa é minha única preocupação. Isso me priva de uma vida normal, esse sentimento de insegurança. Não posso deixar de pensar de como era seguro antes da guerra. É claro que eu não gostava de tudo, mas só me lembro de como era seguro. Não voltaria ao regime, nós temos liberdade agora, mas é ofuscada por esse sentimento de insegurança. Antes, nós tínhamos uma vida normal. Nós não podíamos falar nossas opiniões sobre tudo, mas ficávamos longe do governo e vivíamos normalmente. Podíamos ir a reuniões e clubes e ficar fora até meia-noite. Não nos envolvíamos em política. Eu me sinto enganada e abandonada. Não posso dizer que culpo um partido. Todos são culpados. Sou farmacêutica e muitos dos remédios que vendo são para diarréia. Outros são para gripe, embora a temperatura seja de 40 graus agora. Isso porque o ar condicionado está desligado metade do dia por causa da falta de luz." |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||