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Atualizado às: 06 de junho, 2005 - 19h19 GMT (16h19 Brasília)
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EUA substituem negligência por ativismo polêmico na OEA

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, discursando na Assembléia-Geral da OEA
Bush defendeu compromisso dos EUA com liberdade e prosperidade
Há um senso de urgência na política latino-americana do governo de George W. Bush.

Após um primeiro mandato em que a marca dessa política regional foi a negligência, o presidente americano está ansioso para expressar interesse.

O engajamento está sendo interpretado na América Latina também com um senso de urgência, como interferência, em particular como uma marcação cerrada em cima da Venezuela.

Bush quer encaixar esse novo interesse regional (e o foco na Venezuela) na sua agenda global, igualmente saindo do forno, de espalhar democracia.

Risco

Nesta segunda-feira, ao discursar na Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), que se realiza em Fort Lauderdale, na Flórida, ele afirmou que os EUA "compartilham com a América Latina o compromisso de construir um continente em liberdade e prosperidade".

Do ângulo norte-americano, um pilar desse compromisso é a proposta de criação de mecanismos para reforçar a democracia, que de fato tem vários pontos vulneráveis no continente como mostram as crises mais recentes no Haiti, no Equador e na Bolívia.

Mas há a sensação em várias partes da América Latina de que o projeto de monitoramento da democracia é um casuísmo para enquadrar a petrolífera Venezuela de Hugo Chávez – que, na opinião de alguns americanos, se converteu num pólo de estridente populismo e de contestação aos interesses dos EUA.

Apesar do risco de agravar seu isolamento continental e de atoleiros diplomáticos e militares em outras partes do mundo, o governo Bush parece inclinado em forjar uma linha mais dura no seu relacionamento com Hugo Chávez, que está engrenado para ganhar um segundo mandato de seis anos nas eleições do ano que vem.

Os EUA insistem que esses planos de endurecimento não incluem uma invasão ou uma trama para assassinar Chávez (acusações freqüentes em Caracas), mas visualizam um apoio mais ativo à oposição.

Na semana passada, por exemplo, Bush deu um recado ao receber na Casa Branca Marina Corina Machado, uma das líderes da campanha anti-Chávez no derrotado referendo de 2004.

Moderados

De fato, Chávez preside a experiência anti-americana mais radical no continente desde que os sandinistas deixaram o poder na Nicarágua há 15 anos, e há inquietação generalizada nos EUA com sua ambição bolivariana e compromisso democrático.

Nos planos de Washington, potências regionais como o Brasil deveriam ser uma força moderadora sobre a Venezuela para endireitar o que os americanos consideram descaminhos democráticos.

Mas o Brasil dá mostras de não estar à vontade com essa atribuição.

No seu discurso na Assembléia Geral da OEA, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse diretamente à secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, que "democracia não pode ser imposta".

A negligência americana alimentava ressentimentos.

A ansiedade para impor regras de bom comportamento pode reforçar o isolamento do governo Bush no continente.

Generais

Na sua coluna sobre as Américas no jornal Miami Herald, Andrés Oppenheimer escreveu na segunda-feira que Washington tem "uma grande idéia, mas uma má estratégia".

A proposta de criação de mecanismos de monitoramento democrático (que gerou resistência e uma contraproposta) está sendo vista na América Latina como uma combinação de arrogância política e incompetência diplomática justamente porque foi apresentada pelos Estados Unidos.

O dilema americano é clássico. Interferência, mesmo quando embrulhada com propósitos benignos, é rejeitada como "imperialismo ianque".

Generais latinos-americanos e em outras partes do Terceiro Mundo ficaram irritados nos anos 70 quando Jimmy Carter, outro presidente americano imbuído de fervor religioso, lançou uma cruzada pelos direitos humanos.

É o mesmo drama para Bush, da Venezuela ao Uzbequistão.

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