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Análise: Blair vai a Washington tentar salvar G-8 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, está a caminho de Washington, onde se reúne, na terça-feira, com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Blair está ansioso para reduzir as divergências que estão ameaçando o sucesso do encontro de cúpula do G-8 (grupo dos oito países mais industrializados do mundo), que ocorre na Escócia em julho. Com o fim da guerra no Iraque, Blair e o ministro do Exterior Gordon Brown estão concentrados em uma agenda de mais ajuda à África e de controle das mudanças climáticas. Se Blair conseguir a adesão de Bush e de outros líderes, poderá conquistar pontos para contrabalançar as perdas sofridas diante dos eleitores britânicos quando decidiu apoiar a ofensiva contra o Iraque. Ele deve estar esperando que este é o momento em que os Estados Unidos vão recompensá-lo por seu apoio. Adicionalidade Os planos da Grã-Bretanha para a ajuda à África incluem, por exemplo, o cancelamento das dívidas dos países do continente a instituições financeiras como o FMI, o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento. Blair também defende que a África e outros países em desenvolvimento tenham direito a melhores acordos comerciais, como cortes nos subsídios de exportação de produtos agrícolas a nações mais ricas. Mas um dos principais pontos de divergência com os Estados Unidos é a chamada "adicionalidade". Os Estados Unidos podem cancelar a dívida africana sem problemas, mas querem levar isso em consideração quando tiverem de providenciar nova ajuda no futuro. "O projeto americano é covarde", disse Max Lawson, consultor de políticas da ONGs de assistência humanitária britânica Oxfam. "Eles querem perdoar as dívidas mas cortando o mesmo valor em financiamentos futuros. Isso não vai ajudar a construir uma nova escola ou um novo hospital." O argumento do governo dos Estados Unidos é o de que a África precisa de políticas econômicas melhores - e não de quantidades infinitas de dinheiro. Os americanos defendem também que a ajuda tem de estar atrelada a uma boa administração. Essa política agora é adotada no chamado Millenium Challenge Account, sob o qual os países que quiserem dinheiro dos Estados Unidos terão de obter aprovação para o uso que desejarem fazer dele. Se não houver acordo sobre a "adicionalidade", os grandes discursos programados para o encontro na Escócia parecerão um tanto vazios. Bush também se opõe à idéia da chamada Unidade de Financiamento Internacional, que envolveria empréstimos tirados dos mercados de ações e que possuem garantias por parte dos países ricos. Os Estados Unidos e outros opositores dos planos de Blair já conseguiram convencer o premiê britânico a desistir da idéia de vender ouro excedente do FMI para levantar mais fundos de assitência. Uma situação ideal para Blair seria ainda conseguir que o governo americano se comprometesse a gastar 0,7% de suas riquezas, algo que a União Européia apóia. Mas isso é uma batalha perdida. Os Estados Unidos não gostam do jogo das porcentagens e argumentam que já são o maior doador internacional, em termos nominais. Nada disso significa que não haverá acordo algum em Gleneagles. Mas significa que todos os acordos serão difíceis e precisarão ser examinados com cautela. Clima O mesmo vale para outro problema - o controle das mudanças climáticas. Como se sabe, Bush é hostil em relação ao assunto. Blair espera superar isso e avançar em três áreas: um documento que trate da seriedade do problema e seja claro em relação a possíveis acordos; um pacto de ações comuns, principalmente lidando com áreas em que a indústria americana está interessada; e um conjunto de princípios de aplicação a longo prazo. Isso tampouco será fácil, como se um rápido encontro de preparação para uma cúpula em que líderes estarão sob pressão pudesse produzir algum resultado. |
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