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Crise na Bolívia pode afetar investimentos em vizinhos, dizem analistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A recente crise na Bolívia pode ter repercussões sociais, econômicas e políticas em toda a América do Sul, na opinião de analistas. Na opinião do professor de ciências políticas da Universidade do Chile, Guillermo Holzmann, entre esses efeitos estão a imigração de bolivianos em busca de trabalho e de estabilidade para a Argentina e o Chile, a fragilidade das instituições do país, que aumentam as chances de ação do crime organizado, e o estancamento e revisão dos planos dos investidores na região. “Um país com instituições frágeis é porta aberta para a corrupção e facilita o contrabando e o narcotráfico. Na situação em que está, a Bolívia tende a ser mais usada como passagem para esses movimentos ilegais e obrigará os países vizinhos a reforçar o controle das suas fronteiras”, disse ele. Para o cientista político argentino Rosendo Fraga, do Centro de Estudos União para Nova Maioria, a crise boliviana também pode ter impacto no Equador e no Peru. “Entre as conseqüências estão o incremento das reivindicações dos indígenas nesses dois países, a reativação da disputa da Bolívia e do Peru com o Chile pela saída para o Oceano Pacífico e a redução no abastecimento de gás boliviano na Argentina e, indiretamente, no Chile.” Sem investimentos Os dois analistas afirmaram que se os conflitos iniciados há mais de duas semanas perdurarem, vão continuar a frear os investimentos. Empresas petroleiras já anunciaram que estão suspendendo novos investimentos no país. Essa situação, raciocinam os dois analistas, vai gerar desemprego e instabilidade econômica não só na Bolívia, rica em gás natural, mas nos países vizinhos. “Desta vez é a Bolívia, mas recentemente foram Equador e, em menor medida, o Peru. São conflitos e imagens que levam os investidores a pensarem que outros países serão igualmente afetados”, disse o professor chileno. Venezuela e Uruguai Para Holzmann e Rosendo, se os conflitos persistirem, darão ainda ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e seus seguidores, “entusiasmo” e “influência” para manifestações em outros países da América do Sul, contra o capital estrangeiro, os Estados Unidos e a globalização. No Uruguai, como contou o economista Adrían Fernández, do Centro de Pesquisas Econômicas, apesar de o país comprar gás natural da Argentina, não existe a mesma preocupação que nas duas nações vizinhas – Argentina e Chile. O Chile depende da importação de gás da Argentina, parcialmente abastecida pela Bolívia, e desde o final do ano passado as indústrias chilenas já deram início ao racionamento do produto. Foi quando o presidente Nestor Kirchner determinou que a prioridade deveria ser o abastecimento interno. “Só sabemos que a Bolívia acostumou-se a viver na crise. Talvez se fosse em outro país, como ocorreu na Argentina, a violência seria maior”, disse o professor chileno. Renúncia A mais recente crise na Bolívia começou há mais de duas semanas, quando o Congresso Nacional aprovou a lei de hidrocarburetos, aumentando de 18% para 50% os impostos para as empresas de energia, paralisando os investimentos do setor. Desde então, moradores indígenas apóiam protestos liderados por Evo Morales. Ao mesmo tempo, o departamento (equivalente a Estado) de Santa Cruz de la Sierra defende um projeto, com apoio de empresários, pela autonomia das suas decisões sobre hidrocarburetos, independentemente da capital, La Paz. Nesta semana, empresários de todo o país pediram a renúncia do presidente Carlos Mesa, e, como destacou o professor chileno Holzmann, reina a fragmentação em todos os setores – partidos políticos, governo, Congresso e manifestantes. “Assim fica difícil chegar a um consenso e prever o fim da crise”, disse. Mesa era vice de Gonzalo Sánchez de Losada, que renunciou em outubro de 2003, sob protestos. Agora, a Bolívia ainda vive a crise de lideranças, já que, ressalta Holzmann, ninguém sabe quem governa o país. |
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