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Atualizado às: 25 de maio, 2005 - 21h39 GMT (18h39 Brasília)
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Desmatamento pressiona governo Lula, diz WWF

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No Brasil, as maiores taxas de desmatamento são no Mato Grosso
Os altos níveis de desmatamento no Brasil – evidenciados por novos dados divulgados na semana passada, que apontaram entre 2003 e 2004 o segundo maior índice na história do país – devem ser vistos como um recado para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

"É o terceiro ano de desmatamento alto. Acho que isso é uma pressão importante e uma mensagem para que eles (os governantes) tomem uma atitude", afirmou à BBC Brasil Rosa Lemos Sá, superintendente de Conservação da ONG WWF-Brasil.

"Por isso, eu acho que vai haver uma mudança na atitude do governo em criar essas condições (de conter o desmatamento)", completou.

Nesta quarta-feira, o WWF, em conjunto com o Banco Mundial, lançou um programa global para reduzir os índices de desmatamento no planeta em 10% até o ano 2010.

Para o WWF-Brasil, a diminuição do desmatamento em território brasileiro deve passar pela criação de incentivos para a exploração sustentável de florestas.

Programa mundial

"Se você perguntar a qualquer madeireiro ou empresário da Amazônia se eles investiriam em um plano de manejo sustentável da floresta, caso o governo criasse subsídios, eu tenho certeza de que 100% deles diriam que sim", afirmou Lemos Sá.

Atualmente, o WWF estima que o ritmo de desmatamento seja de 139.860 quilômetros quadrados por ano em todo o mundo.

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que no período de agosto de 2003 a agosto de 2004, o Brasil contribuiu com 26.130 quilômetros quadrados de desmatamento – 18,6% da área total estimada pelo WWF.

O resultado - que ainda pode ser revisto, já que os dados do Inpe são preliminares -, provocou uma onda de críticas à política ambiental do governo Lula, em especial ao Programa Arpa (Áreas Protegidas da Amazônia), criado para proteger parte da floresta amazônica brasileira.

No entanto, o co-presidente da aliança WWF/Banco Mundial, Bruce Cabarle, afirmou que os índices podem esconder uma situação bem menos grave.

"É preciso enxergar abaixo da superfície dos números", afirmou Cabarle. "O Estado do Mato Grosso foi responsável por 50% do desmatamento no Brasil. Portanto, se esse problema fosse combatido lá, o índice brasileiro já cairia pela metade."

Estratégia

Há cerca de uma semana, o WWF anunciou a liberação de US$ 3,3 milhões para investimentos de proteção à biodiversidade na Amazônia.

O dinheiro será investido no Fundo de Áreas Protegidas (FAP), administrado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e destinado ao funcionamento das unidades de conservação criadas pela Arpa.

A estratégia faz parte de um plano maior de criação e manejo de áreas de conservação. O próximo passo deve ser a implementação de um programa nacional de florestas, para controlar a exploração ilegal de madeira.

O governo brasileiro comemora já ter superado a meta inicial de criar mais de 9 milhões de hectares de unidades de conservação e quer arrecadar US$ 240 milhões para o FAP até 2013.

Cenário da Amazônia mudou muito nos últimos anos
Cenário da Amazônia mudou muito nos últimos anos

Nos últimos anos, um dos principais agentes na transformação do cenário amazônico foi o cultivo de soja. Para muitas organizações não-governamentais, a soja é um dos maiores vilões da região, uma vez que seu cultivo ameaçaria a biodiversidade local e vem provocando a abertura de "clareiras" na floresta.

É justamente a soja, ao lado da criação de gado, que é apontada como responsável pelos altos níveis de desmatamento no Estado do Mato Grosso.

No entanto, o governador mato-grossense, Blairo Maggi, defende uma posição oposta à dos que acusam seu Estado.

Para ele, o Mato Grosso tem só 20% de seu território desmatado, e apenas 8% são utilizadas para a agricultura.

O governador vai ainda mais longe e afirma que os números podem ter sido manipulados.

Maggi alega que entre 2003 para 2004, o Mato Grosso diminuiu 2% sua área de desmatamento, enquanto nos outros Estados amazônicos teria havido aumento de 6%.

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