|
Ganhadores de Cannes rejeitam rótulo 'social' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Palma de Ouro deste ano foi para um filme considerado "realista" ou de temática social, o longa dos irmaos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, L’Enfant. De acordo com Luc Dardenne, o rótulo social é ruim, assim como todos os rótulos. “Mas este é o problema de todos que fazem alguma forma de arte, fica mais fácil para as pessoas colocarem um rótulo, talvez para arquivar estas obras. Mas espero que o cinema não seja reduzido a isso”, acrescentou. “Estamos felizes, é uma sensação estranha, ainda precisamos voltar à terra”, disse Jean-Pierre. L’Enfant conta a historia de dois jovens em uma pequena cidade da Bélgica. Sonia, interpretada por Debora Francois, de 18 anos, acaba de ter um filho e vive de benefícios do governo. Bruno, o pai, interpretado por Jeremie Renier, vive de pequenos roubos e até tenta vender o próprio filho. “Tentamos usar cenários realistas, na nossa cidade. Criamos nossas historias lá”, ccontou Jean-Pierre. “Estamos felizes, este é um filme de atores, a Palma de Ouro é deles pois eles foram extraordinários e nós temos que agradecer”, disse Jean-Pierre durante a entrevista coletiva logo após a entrega dos prêmios. “Houve muita tensão e agora estou feliz, não me importo com o que júri conversou, como eles tomaram esta decisão”, acrescentou Luc. Os Dardenne já haviam vencido a Palma de Ouro de Cannes em 1999, com o filme Rosetta. Contradição Para Jim Jarmusch, vencedor do Grande Prêmio do Júri com seu longa Broken Flowers, dar prêmios para qualquer forma de expressão é uma contradição. “Nao é que eu ache que prêmios não deveriam ser dados. Apenas acho, pessoalmente, contraditório dar prêmios a formas de expressão. O cinema é uma forma de expressão tão bela, não pode ser julgado por grupos. Mas não sou contra prêmios, pois eles ajudam os filmes.” Para o cineasta americano, Cannes é um lugar querido pois é um festival em que a nacionalidade não importa. “Cannes apóia o cinema independente americano, de Taiwan, italiano. Morte aos limites de nacionalidade! Cannes é o lugar onde todos nos sentimos da mesma tribo. Não sei se meus filmes seriam possíveis sem Cannes. É uma grande ajuda para mim”, afirmou o diretor.
O roteirista mexicano Guillermo Arriaga, premiado com a Palma de Ouro de melhor roteiro pelo filme The Three Burials of Melquiades Estrada, revelou que já sonhava com o festival quando era jovem. “Quando eu era jovem viajei pela Europa com meu irmão, apenas com uma mochila. Passamos por aqui, apontei o Palais (sede do festival) e disse a ele que queria voltar um dia. É uma grande honra”, disse. Arriaga espera que seu prêmio vá ajudar a industria cinematográfica mexicana. “Falamos sobre os filmes de (diretores mexicanos como Alfonso) Cuaron e (Alejandro Gonzales) Iñarritu, mas produzimos apenas dez filmes por ano”, disse. Tommy Lee Jones, diretor do longa e premiado com a Palma de Ouro de melhor ator afirma que o talento mexicano precisa ser mostrado. “O talento mexicano nao é baseado em cinismo, mas sim em cinema. Uma indústria pobre, não há muitos filmes por ano, mas os que são feitos têm valor. O futuro deles é brilhante.” Para o ator e diretor, o que o surpreendeu foi a quantidade e a qualidade do público em Cannes. “Estive aqui com um filme e eram três mil pessoas de coração e mente abertos na platéia. É um sonho, você pensa que um dia vai ver três mil pessoas como se fossem uma única mente, cheias de alegria...”, afirmou. Diretor Michael Haneke, que levou a Palma de Ouro de melhor diretor pelo filme de suspense Cache, já avisou que seu próximo projeto será a direção de uma ópera em Paris. “Vou dirigir Don Juan. Estou preparando, escrevendo o roteiro. Já fiz teatro há 20 anos, mas nunca fiz ópera”, contou. Quanto ao prêmio, Haneke espera que a Palma de Ouro consiga atrair mais público. “Não é um blockbuster como Guerra nas Estrelas, mas quero ter um grande público. Quero ver um dia na (revista) Variety: ‘Michael Haneke derrota George Lucas’”, disse entre risos o diretor. Hanna Laslo, a atriz isralense que foi premiada com a Palma de Ouro por sua atuação em Free Zone, de Amos Gitai, conta que sua experiência como comediante ajudou-a a trabalhar em um drama. “É um clichê, mas todo bom comediante é bom em dramas, pois risos e lágrimas são tão próximos, são terapias”, afirmou. O longa conta a história de três mulheres, uma americana filha de pai judeu, interpretada por Natalie Portman, uma palestina, protagonizada por Hiam Abbas, e uma motorista de táxi isralense, Laslo. As três partem em uma jornada para a Zona Livre, uma área na Jordânia onde o comércio entre árabes e israelenses sofre poucas restrições. Obviamente, o conflito no Oriente Medio é um dos temas do filme. “Nossos temas estão sempre nos noticiários. E a única forma de tocar neste tipo de assunto é com um certo humor, mostrar situacões engraçadas e tristes. Amor e perdão são também formas de tocar em assuntos como este”, disse a atriz. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||