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Para Airbus, aposta alta não permite admitir fracasso do A380 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Airbus acredita que o seu A380 – o maior avião de passageiros do mundo, que voou pelos céus da França nesta quarta-feira – deve começar a operar comercialmente no ano que vem e tem tudo o que é preciso para ser um sucesso financeiro. Para os analistas, é preciso esperar para ver se o mercado dos superjumbos realmente vai decolar, no entanto, poucos duvidam que a aposta que a Airbus está fazendo é grande demais para que ela admita qualquer outra coisa que não uma história de sucesso da aviação. Para a elite empresarial e política envolvida no projeto, muita coisa está em jogo e qualquer outra conclusão não seria aceitável. Se o A380 vai realmente gerar o sucesso esperado, porém, só o tempo e mais encomendas dirão. Rival A empresa sediada em Toulouse, de propriedade da gigante aeroespacial européia EADS e da britânica BAE Systems, está otimista em relação às perspectivas comerciais do A380. Segundo a Airbus, o jato vai transportar mais passageiros, com maior conforto e por distâncias maiores do que qualquer outro avião comercial, em particular o 747 da Boeing. A empresa também diz que o A380 oferece maior eficiência em termos de combustível, e que está confortável em sua previsão de que conseguirá alcançar a meta de vendas de 250 aeronaves – necessária para cobrir os custos. Ela já tem 154 encomendas até agora. Está ocupada desenvolvendo seu avião de longo alcance, menor, o 787 "Dreamliner", que vai transportar 250 passageiros, muito menos do que os 555 do A380. No entanto, a Boeing promete economia de 20% de combustível, comparado com outros aviões médios. Antecessor A Boeing argumenta que mais passageiros vão querer voar entre aeroportos regionais menores do que entre os gigantes necessários para servir os A380. Embora seja improvável que o A380 tenha o destino de seu antecessor – apenas 14 Concordes entraram em operação comercial –, a Airbus ainda tem muitos desafios. O projeto do A380 está custando muito mais do que o previsto no orçamento. Em dezembro, a Airbus admitiu que o desenvolvimento do avião vai custar 1,45 bilhão de euros (mais de R$ 4,75 bilhões) além do previsto, o que eleva o custo total do projeto para 12 bilhões de euros (mais de R$ 39,4 bilhões). A Airbus recebeu bilhões de euros em "ajuda para lançamento" – empréstimos para cobrir um terço dos custos de desenvolvimento do projeto – do A380 dos governos europeus. A empresa insiste que terá um retorno de 20% sobre seu investimento. "Isso parece uma meta ambiciosa, quando se considera que a média do setor é de 10% a 12%", diz Tim Coombs, diretor da consultoria do setor de aviação Aviation Economics. A Airbus prevê que poderá vender mais de 700 aviões A380 durante a vida estimada de 30 a 40 anos da aeronave. 'Esperar para ver' Cerca de 15 companhias aéreas encomendaram aviões A380, mas Coombs diz que outras linhas aéreas estão lutando para enfrentar aumento dos custos de combustíveis e dura competição. "Algumas companhias aéreas estão adotando uma atitude de esperar para ver", diz. A Boeing ainda não comunicou se planeja concorrer diretamente com a Airbus por uma fatia do chamado mercado de "superjumbos", com uma versão reforçada do seu jumbo 747. O mercado de aviões usados está em expansão e nele estão disponíveis aeronaves que custam uma fração dos US$ 285 milhões (mais de R$ 722 milhões) de um A380 novo. Isso pode ainda desviar o interesse de potenciais consumidores. "Até um certo ponto, a Airbus terá que apertar o freio no preço que poderá cobrar por um A380, porque existem alternativas usadas que as empresas aéreas estão avaliando", diz Coombs. No entanto, aviões de passageiros mais antigos, embora mais baratos, costumam ser mais barulhentos e menos eficientes no consumo de combustível. |
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