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Mídia mundial destaca conservadorismo do novo papa | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A proximidade com o papa João Paulo 2º e o conservadorismo do novo papa foram destaque nas edições online dos principais jornais do mundo nesta terça-feira, que tinham o assunto como principal manchete durante todo o dia. O jornal The Washington Post diz que a decisão do conclave foi aclamada pela multidão que se juntou na praça do Vaticano, mas diz que a escolha também provocou manifestações céticas de alguns católicos, que vêem o cardeal alemão como um linha-dura em questões sociais e temem que ele possa dividir a Igreja. O website do jornal americano tinha um discussão com especialista sobre o novo papa e uma análise descrevendo-o como o "guardião da ortodoxia". Na costa oeste dos Estados Unidos, o Los Angeles Times diz que o novo pontífice vai enfrentar enormes desafios. "A Igreja Católica está muito dividida e muitos dos seus membros estão desiludidos. Não há padres em número suficiente, as pessoas estão aderindo a outras religiões em muitas partes do mundo e os ensinamentos da igreja não estão sendo ouvidos. Católicos do mundo todo estão olhando pra ver em que direção o novo pontífice vai levá-los", afirma o jornal. Momentos de suspense Os jornais americanos e em outras partes do mundo também descreveram os momentos de suspense na Praça São Pedro, quando ainda não se sabia com certeza se a fumaça que saía da chaminé era mesmo branca, indicando que os cardeais já haviam escolhido o novo papa. "Na Praça São Pedro, otimismo e preocupação", era o título de um dos textos da edição online do jornal The New York Times. O jornal descreve como os romanos deixaram o que estavam fazendo e correndo para a praça do Vaticano quando ouviram o sino tocar. O anúncio do nome de Ratzinger, no entanto, foi recebido com uma reação mista. Os principais jornais italianos também trouxeram uma extensiva cobertura do novo papa. O Corriere della Sera destaca a biografia do cardeal Ratzinger e as comemorações não somente em Roma mas em toda a Itália. Já o jornal La Repubblica destaca o curto discurso, em que ele se diz "um simples, humilde trabalhador nas vinhas do Senhor". Um dos artigos fala da decepção da ala progressista com o conservadorismo do novo papa. Na Espanha, um dos artigos do jornal El País é "O cardeal de ferro vigia a pureza do dogma". O jornal diz que "a honestidade e retidão moral parecem ser a espinha dorsal da personalidade de Joseph Ratzinger, o cardeal que zelou pela pureza do dogma católico" desde que ele foi escolhido pelo papa João Paulo 2º para prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em 1981. Já o jornal La Vanguardia diz que Bento 16 tem alguns fortes detratores dentro da Igreja,"entre eles alguns de seus alunos como o teólogo suíço Hans Küng e o seu colega brasileiro Leonardo Boff". "Com idéias que frequentemente chocam com as correntes liberais do seu país de origem, o nome de Ratzinger surgiu em todas as polêmicas no seio da Igreja Católica para travar as tentativas de reforma dos seus correligionários mais progressistas", diz o português Expresso Online. O britânico The Guardian diz que a defesa do conservadorismo ortodoxo por parte de Ratzinger pode ter sido parte do seu trabalho, mas não o fez popular, especialmente em lugares mais progressistas. "Na Europa Ocidental e na América do Norte, em particular, há uma percepção aguda de que a Igreja está perdendo terreno e precisa assumir uma postura menos hostil em relação ao mundo exterior", diz um analista do jornal. O The Times lembra que em 1963 Joseph Ratzinger escreveu um discurso que levou o papa Paulo 6º a reverter suas prioridades e adotar uma postura teológica mais conservadora. |
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