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Atualizado às: 18 de abril, 2005 - 14h01 GMT (11h01 Brasília)
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Repórter da BBC descreve ataque que o deixou em cadeira de rodas
Frank Gardner (direita) e Simon Cumbers
Simon Cumbers e Frank Gardner (direita) foram atacados em junho de 2004
Dez meses depois de ter sido alvejado por militantes islâmicos na Arábia Saudita, o jornalista Frank Gardner voltou a exercer o posto de repórter especializado em segurança para a BBC.

Gardner conta pela primeira vez como foi o ataque contra ele e seu cinegrafista, que acabou morrendo na ação. Ele diz ainda o que sentiu ao ser atingido pelos várias tiros.

Leia abaixo o seu relato completo.

"Sempre imaginava como deveria ser levar um tiro, mas não pensava que iria descobrir por experiência própria.

Sei agora que existe uma grande diferença entre um tiro recebido em uma área não vital do corpo e um projétil que penetra uma das partes centrais.

A primeira bala que me atingiu naquela tarde de domingo de junho em Riad atravessou meu ombro. A sensação foi como se fosse uma picada de abelha, nada mais.

Morte

No entanto, os tiros que foram disparados a curta distância contra mim por militantes da Al-Qaeda sacudiram todo o meu corpo. Cada um deles parecia uma mão gigante que me suspendia e depois me jogava no chão.

Surpreendentemente, eu não senti dor imediatamente.

Minutos depois, quando meus algozes já me julgavam morto e a adrenalina em meu corpo começava a diminuir, a dor se tornou indescritível. Até hoje, não sei como permaneci consciente.

Nas últimas semanas, eu venho descobrindo mais sobre o que aconteceu comigo depois que fui levado pela polícia saudita a um mal-equipado hospital da cidade.

Se não tivesse sido resgatado pelo brilhante cirurgião sul-africano Peter Bautz, eu teria morrido em duas horas.

Apesar de ter me esforçado para permanecer consciente até chegar à mesa de operação, o estrago feito pelas seis balas já começava a comprometer seriamente o meu organismo.

Meu coração bombeava sangue apenas para os órgãos vitais. Eu havia perdido uma grande quantidade de sangue, e minha temperatura havia baixado perigosamente para 30ºC.

Uma condição chamada Coagulação Intravascular Disseminada havia se iniciado, na qual o sangue de todo o meu corpo começava a perder a fluidez.

Disseram que isso seria um dos últimos estágios antes da morte e o que me salvou foram grandes doses de uma droga miraculosa chamada Fator Ativador 7.

Congelador

Mesmo assim, após 12 operações e 8 meses no hospital, meus ferimentos me transformaram oficialmente em deficiente físico, usuário de cadeira de rodas, depois que os tiros danificaram os nervos da minha espinha.

Descobri mais também sobre a célula extremista que me atacou e matou meu cinegrafista Simon Cumbers, de 36 anos.

Integrantes de um grupo auto-intitulado "Al-Qaeda na Peninsula Árabe", os militantes estão relacionados com o massacre de Al-Khobar, ocorrido uma semana antes.

Uma semana após me atacarem, eles capturaram um mecânico de helicópteros americano e o decapitaram em frente às câmeras, guardando a cabeça no congelador de uma casa em Riad.

Apesar da militância saudita parecer estar na defensiva neste momento, tamanho é o fanatismo de seus integrantes que mais ataques contra alvos ocidentais permanecem uma possibilidade real."

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