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Atualizado às: 15 de abril, 2005 - 20h38 GMT (17h38 Brasília)
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Trajetória de d. Cláudio Hummes desafia definições

D. Cláudio Hummes
D. Cláudio apoiou greves, mas também o movimento carismático
Apontado como forte candidato à sucessão de João Paulo 2º, o cardeal arcebispo de São Paulo, d. Cláudio Hummes, de 70 anos, vem despertando análises contraditórias sobre sua trajetória e posições políticas.

Até hoje, a maior parte dos vaticanistas não consegue enquadrá-lo nos rótulos de "progressista" ou "conservador".

O jornal inglês The Sunday Times chegou a classificá-lo de "radical" na política, enquanto boa parte da imprensa brasileira o considera "conservador".

Apesar de imprecisos, esses rótulos são importantes porque refletem a forma como o religioso vê o mundo e governa a Igreja.

Promessa progressista

As origens das confusões sobre o perfil de d. Cláudio datam de 1979, quando ele era bispo da cidade de Santo André (SP) e deu apoio ostensivo aos movimentos grevistas de massa que abalaram a ditadura militar instaurada no Brasil em 1964.

Nesse momento, aos 41 anos, ele se transformou em uma "promessa" do clero chamado "progressista" (que defende a participação política da Igreja junto aos movimentos de esquerda).

Líder dessa greve, o hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva costuma ficar emocionado quando fala da participação de d. Cláudio.

"Ele foi extraordinário em todos os aspectos. Foi solidário às nossas famílias e aos trabalhadores", afirmou Lula.

Religiosidade tradicional

A promessa, porém, não se concretizou.

Assim que assumiu outros cargos importantes na Igreja, como a Arquidiocese de Fortaleza (CE) em 1996, d. Cláudio incentivou grupos que pregam uma religiosidade tradicional, como a Renovação Carismática Católica, para decepção das Pastorais Sociais (como as do Negro, da Mulher Marginalizada ou da Terra) e das CEBs (as Comunidades Eclesiais de Base, berço do PT).

No período de 1 ano e 11 meses que passou à frente da arquidiocese, notabilizou-se por organizar uma grande campanha de arrecadação de fundos para a compra de uma retransmissora da Rede Vida, rede de televisão católica que ainda não podia ser sintonizada na cidade.

Tanto a Rede Vida quanto a Renovação Carismática são instrumentos usados pelos católicos para enfrentar o enorme crescimento das igrejas evangélicas na década de 90.

A chave para o entendimento dessa aparente contradição na trajetória de d. Cláudio está na sua capacidade de se adaptar aos rumos da Igreja Católica mundial e à realidade do Brasil.

Com o final da ditadura, a Igreja deixou de ser a principal forma de oposição institucional ao governo militar.

Os partidos e os sindicatos voltaram a ocupar esse espaço. D. Cláudio aceitou deixar o papel de agente político, ao contrário dos bispos da geração anterior, que se engajaram desde o início na luta contra o regime militar de 64.

Esse grupo, cujos expoentes são d. Hélder Câmara, d. Paulo Evaristo Arns e d. Aloisio Lorscheider, entre outros, abraçaram os conceitos da Teologia da Libertação, traduzidos no lema da "Opção preferencial pelos pobres".

Os "progressistas" eram incentivados pelo papa Paulo 6º, mas acabaram sendo levados ao ostracismo por João Paulo 2º, temeroso de sua identificação com a doutrina marxista, que ele combateu com fervor em seu pontificado.

Xerox do papa

Seus principais representantes no Brasil foram transferidos para dioceses sem importância, e seus líderes perderam os cargos que possuíam na hierarquia do Vaticano.

D. Paulo Arns, por exemplo, chegou a participar de 12 comissões pontifícias, mas, no final de seu prelado, havia sido dispensado de todos os cargos.

Nadando contra essa corrente, d. Cláudio se aproximou dos cardeais brasileiros ligados ao papa e à Cúria Romana, justamente os que defendiam uma Igreja mais espiritualizada e com menor envolvimento na política.

Nesse grupo, se destaca o cardeal do Rio de Janeiro, d. Eugênio de Araújo Salles, que se orgulha de ser chamado de "xerox do papa".

A aproximação com o novo núcleo de poder da Igreja foi recompensada em 1998, com a nomeação para a Arquidiocese de São Paulo, a maior da América Latina.

66Sucessão papal
Guia ilustrado traz perfil dos principais candidatos.
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