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Patrulha começa a vigiar fronteira do México com os EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Projeto Minuteman, pelo qual civis vão patrulhar a fronteira dos Estados Unidos em busca de estrangeiros que cruzaram a divisa com o México ilegalmente, começa nesta sexta-feira no Estado do Arizona. Trata-se da fronteira menos vigiada do país, por onde entrou no ano passado 51% do total de 1,1 milhão de imigrantes clandestinos. Cerca de 1,2 mil pessoas de vários Estados americanos se ofereceram para o projeto, que dura um mês e vai consistir em grupos de vigilantes patrulhando o deserto com carros, helicópteros e aviões. A organização do projeto garante que, embora o porte de armas de fogo seja legal no Arizona, os integrantes foram orientados a não usá-las contra os imigrantes. Temor Ainda assim, organizações de direitos humanos e até a guarda da fronteira temem que um confronto entre imigrantes e vigilantes acabe levando à violência. “Estamos preocupados com a Mara Salvatrucha (organização de origem salvadorenha que atua na América Central e América do Norte) e outras organizações que podem se tornar violentas contra os Minuteman. E isso vai afetar nossa operação porque, em vez de patrulhar a fronteira, vamos ter que usar recursos para protegê-los”, afirmou o agente James Hawkins. Ele discorda da versão dos vigilantes de que eles vão ajudar os guardas e acha que a presença de estranhos na região só vai dificultar o seu trabalho. “Nós trabalhamos com informações de pessoas residentes na área, mas a presença de tantas pessoas de fora só vai nos atrapalhar”, afirmou. Treinamento Al Garza, um dos coordenadores do projeto em Tombstone, perto da fronteira com o México, disse que os voluntários já foram treinados e orientados para não usar armas e deixar o local se encontrarem resistência. “Já demos treinamento a todos os voluntários sobre o que podem e o que não podem fazer.” Tombstone é uma pequena cidade no sul do Arizona que ficou famosa através dos filmes de faroeste que usam a cidade como referência. Ele disse que os voluntários vão oferecer água, remédios e comida, mas não vão tocar nos imigrantes. “Até por medo de doença.” O objetivo é chamar a atenção do governo para a falta de proteção na fronteira do Arizona. “Queremos mandar uma mensagem ao governo de que eles estão dando pouca importância à fronteira e mostrar que é possível fazer alguma coisa”, afirmou Garza. Ele conta que já vem fazendo esse trabalho há cinco meses e que os guardas fronteiriços normalmente chegam em 10 a 15 minutos depois que são avisados. A grande maioria dos imigrantes ilegais que atravessam a fronteira no Arizona é formada por mexicanos. Na principal cidade da fronteira, Nogales, foram detidos no ano passado 77.560 mexicanos encontrados ilegalmente nos Estados Unidos, enquanto os cidadãos de outros países somaram apenas 1.396. Preocupação mexicana Todos os dias, os guardas fronteiriços encontram pelo menos 200 pessoas sem documentos na região de Nogales, na divisa com o México. Muitos deles já tentaram atravessar a fronteira até 20 vezes. A cada vez que são pegos, são levados para o centro de detenção, identificados, registrados e levados de volta para o México. O governo mexicano está preocupado com a atuação do Minuteman. O consul mexicano em Tucson, Juan Manuel Calderón Jaime, chegou a reclamar com o governo americano sobre o grupo, mas a resposta foi que eles têm o direito de se juntar numa organização, desde que não pratiquem nenhuma atividade ilegal. “Estamos preocupados porque muitas pessoas que estão atuando no projeto são ex-militares e temos medo que isso resulte em violência’, afirmou. Ele disse que o governo mexicano vai processar criminalmente quem tentar prender cidadãos mexicanos que foram encontrados sem documentos. Dos 10 milhões de imigrantes ilegais vivendo hoje nos Estados Unidos, cerca de 6 milhões são mexicanos. |
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