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Chef britânico faz sucesso com campanha para melhorar merenda escolar | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma campanha idealizada pelo badalado chef britânico Jamie Oliver para melhorar a qualidade da merenda escolar na Grã-Bretanha está fazendo tanto sucesso que ele já obteve uma promessa do governo para que seu projeto se torne realidade a partir de setembro de 2006. Nesta semana, ao receber um abaixo-assinado com 100 mil nomes coletados pela campanha de Oliver, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, anunciou a criação de um fundo para reformar e equipar cozinhas, treinar funcionários, garantir a compra de ingredientes frescos e oferecer consultoria para a formulação de cardápios. O sucesso da campanha deveu muito a uma série de documentários exibidos pelo canal de televisão Channel 4 nas últimas semanas, em que Oliver tenta transformar a merenda em uma escola do subúrbio londrino de Greenwich. De gordurosos hambúrgueres, salsichas, batatas fritas, pizzas e alimentos à milanesa – todos fornecidos por uma empresa de catering e descongelados na própria escola –, as crianças passariam, pouco a pouco, a contar com opções light e mais saudáveis, com legumes, verduras, frutas, fibras e proteínas de origem animal. Orçamento Em um país onde a obesidade infantil triplicou nos últimos 20 anos, convencer os pequenos a mudar sua dieta parece ser uma tarefa quase impossível para Oliver. Mas seu maior desafio é manter o orçamento estipulado pela escola para cada refeição por dia: 37 centavos de libra (R$ 1,90), um dos menores do sistema educacional britânico. Um estudo feito em 2002 mostra que a obesidade custa até 7,4 bilhões de libras (R$ 38 bilhões) à Grã-Bretanha por ano. Mas 75% das escolas gastam apenas 50 centavos de libra (R$ 2,56) ou menos por cada refeição. Também anualmente, mais de 30 mil pessoas morrem em decorrência da obesidade, somente na Inglaterra. Por isso autoridades lembram que, apesar da repercussão dos programas de Oliver, a discussão sobre a merenda escolar é antiga. Educação Neil Porter, diretor de uma associação de fornecedores de alimentos às escolas, lembra que não basta "apontar o dedo" para as empresas de catering e os cozinheiros das escolas, como se eles fossem os grandes vilões da história. "As escolas precisam determinar melhor suas prioridades e destinar mais verba para a merenda. As crianças têm que ser educadas na sala de aula. Todo mundo tem que estar junto para assegurar que elas entendam os benefícios de comer alimentos mais saudáveis e possam fazer suas próprias escolhas no futuro", afirmou ele, em entrevista à BBC Brasil. A ministra da Infância, Margaret Hodge, concorda. "As crianças preferem batata frita a uma maçã ou uma salada. Por isso temos que trabalhar com os pais, fazer com que eles pressionem as escolas e ofereçam refeições saudáveis para seus filhos em casa também", disse a ministra. Ela afirmou ainda que está tentando negociar com agências de publicidade, canais de televisão e a indústria alimentícia uma maneira de retirar os anúncios de comidas que engoram e são pouco saudáveis, a chamada junk food, do ar no horário em que as crianças assistem à TV. "Se não chegarmos a um acordo, vamos criar uma lei para vetar esses anúncios", ameaçou. |
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