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Atualizado às: 22 de março, 2005 - 16h52 GMT (13h52 Brasília)
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Análise: França pode iniciar efeito dominó contra a UE

O presidente francês, Jacques Chirac
Chirac é acusado de usar a campanha do sim para sua reeleição em 2007
A perspectiva de uma rejeição da Constituição Européia pelos franceses, dia 29 de maio, pode colocar em xeque o futuro da União Européia.

Essa possibilidade, levantada por duas recentes enquetes de intenção de votos na França, é pelo menos inquietante para os 25 líderes da UE, reunidos em Bruxelas nesta terça-feira.

Em primeiro lugar, o objetivo do encontro é endossar planos que conferem maior margem de manobra fiscal aos Estados membros.

Mas, além de ter de enfrentar a oposição do Banco Central Europeu, contrário aos novos planos fiscais, os líderes europeus têm outro obstáculo pela frente: a França. E que obstáculo.

Referendo

A sondagem divulgada pelo diário francês Le Figaro, no dia 21, revelou que 52% dos franceses diriam um sonoro ‘’não’’ à Constituição Européia, fosse o referendo de maio realizado agora.

Assinada em junho do ano passado pelos líderes da UE, a Constituição, para ser adotada, tem agora de ser ratificada por cada um dos 25 países. O que poderá ser feito via referendo, ou por votação nos parlamentos nacionais.

Portanto, em Bruxelas, a pressão sobre o presidente francês, Jacques Chirac, não poderia ser maior. Acusado por alguns observadores de usar a campanha do oui (sim, em francês) para sua reeleição em 2007 (seria um terceiro mandato), Chirac não poderia duvidar do sentimento anti-UE que permeia seu país.

Afinal, o percentual fornecido pelo Le Figaro confirma o resultado de outra enquete, esta divulgada no último dia 18, apenas três dias antes da última sondagem.

Segundo o diário Le Parisien, 51% dos franceses votariam contra a Constituição Européia. Para piorar o quadro, pelo menos para o conservador Chirac – e para o Partido Socialista (PS), também favorável ao ‘’sim’’ –, volta e meia manifestações contra reformas para liberalizar a economia sacodem a França.

Sindicatos e uma significante maioria do povo defendem a semana de 35 horas. E opõe a diretiva Bolkestein, que visa desregulamentar o mercado de serviços.

Alargamento

Para os que rejeitarão a Constituição, Bruxelas é controlada por tecnocratas. Mais: a vasta maioria dos parlamentares europeus estaria interessada somente em liberalizar a economia européia. Nesse contexto, haveria maior corte de empregos e uma erosão da qualidade de vida da Europa.

Também alimentou o sentimento anti-UE, na França, a recente chegada de habitantes dos países da Europa Central e do Leste, graças ao alargamento da UE de 10 para 25 países no ano passado.

Esses novos cidadãos buscam emprego. Por sua vez, a Turquia, que também bate na porta da UE, não é bem-vinda pela maioria, segundo enquetes.

Para José Manuel Barroso, presidente da Comissão Européia, o problema na França, é simples: Chirac deixou o povo misturar reformas econômicas com o referendo de maio.

Na verdade, a Constituição, se adotada, dará maior governabilidade – e credibilidade – à UE. As reformas econômicas, por sua vez, fazem parte de outro quadro. De qualquer forma, Barroso disse alto e claro que a diretiva Bolkestein, independentemente da resistência da França, será implementada.

Outra acusação contra políticos franceses é que eles não sabem informar ao eleitorado sobre os meandros da Constituição Européia.

Um dos perigos dessa falta de informação é que uma rejeição da Constituição Européia poderia representar um voto contra Chirac.

Ciente de que tem de mobilizar seu eleitorado, o PS prometeu intensificar a campanha pelo "sim". Mas, com uma margem de 60% a favor da Constituição, a esquerda encontra-se dividida.

Por sua vez, o socialista José Luis Zapatero, premiê da Espanha, primeiro país a aprovar a Constituição Européia, virá à França para apoiar a campanha do ‘’sim’’.

Os vizinhos temem que a França poderá dar início a um efeito dominó contra a UE.

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