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Gestão desonesta prejudica futebol brasileiro, diz ONG | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um relatório divulgado nesta quarta-feira pela organização não-governamental Transparência Internacional diz que o futebol brasileiro tem sido prejudicado por uma administração "desonesta e sem controle". De acordo com o estudo, "repetidos casos de corrupção e escândalos de desvios de verba tiveram um impacto negativo no desenvolvimento do futebol". O estudo também analisa o impacto de diferentes escândalos na vida política brasileira, como o que envolveu Waldomiro Diniz, o ex-assessor do ministro da Casa Civil, José Dirceu. Segundo a Transparência Internacional, "a divulgação de uma fita de vídeo mostrando Waldomiro Diniz supostamente pedindo propinas e doações para campanhas eleitorais" não envolvem diretamente Dirceu. Mas de acordo com a entidade, "o episódio abalou a autoridade e a credibilidade" do ministro da Casa Civil. 'Segredos ocultos' O relatório menciona as duas comissões parlamentares de inquérito montadas para investigar o que chama de "segredos ocultos" do futebol brasileiro. O texto cita dois dos principais envolvidos em denúncias na época: "Ricardo Teixeira, presidente da CBF, acusado de fraude e desvio de verbas, e Wanderley Luxemburgo, ex-técnico da Seleção Brasileira, acusado de lucros não-declarados em contas estrangeiras". Segundo a assessoria da CBF, a Transparência Internacional está "requentando uma notícia antiga", já que as duas CPIs não conseguiram provar nada. "As acusações são as de sempre, provas é que não há", afirma a entidade. De acordo com a CBF, a administração e as contas da organização vão muito bem e o Campeonato Brasileiro do ano passado foi considerado "o terceiro melhor campeonato do mundo". O relatório destaca duas iniciativas para moralizar o esporte no Brasil: a Lei de Moralização do Futebol e o Estatuto do Torcedor. Mas o texto acrescenta ser ainda muito cedo para "antever se a nova legislação terá o aguardado impacto em combater condutas aéticas e ilícitas, e reforçar a transparência na administração de clubes e federações". Política, jogo e crime organizado O estudo elogia a suposta rapidez do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em tomar providências relativas a dois escândalos: o caso Waldomiro Diniz, que teria sido filmado em 2002 pedindo propina e doação de campanha a um empresário de jogos, e o da venda de sangue e derivados, supostamente envolvendo membros do Ministério da Saúde. De acordo com o relatório, "em ambos os casos o governo agiu imediatamente, despedindo Waldomiro Diniz, proibindo casas de bingo em todo o país e pedindo uma investigação pormenorizada do Ministério da Saúde". Mas o documento afirma que os dois escândalos "prejudicaram a autoridade do governo e a imagem de honestidade associada ao Partido dos Trabalhadores". O texto cita analistas que afirmam que a proibição dos bingos no Brasil foi "um ingênuo esforço para distanciar o governo de envolvimento em comportamentos desonestos". O relatório comenta que, de acordo com muitos analistas, "o escândalo revela perigosas conexões entre o crime organizado e o financiamento de campanhas políticas no Brasil". O relatório conclui que não houve nenhuma proposta no Brasil de investigar as conexões entre financiamento político e crime organizado. |
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