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Guggenheim pode nunca ter museu no Rio, diz diretor | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O diretor da Fundação Solomon Guggenheim, Thomas Krens, diz que o projeto de o Rio de Janeiro se tornar a primeira cidade da América Latina a ter um museu da instituição pode demorar anos e nunca ser concretizado. Em entrevista à BBC Brasil, Krens, que está em Roma participando de uma exposição com as obras do museu, afirmou que, neste momento, está sendo feito um estudo de viabilidade de um museu Guggenheim em Guadalajara, no México. Caso a proposta vá para a frente, seria improvável manter o projeto do Rio de Janeiro. "Sempre deixamos clara nossa intenção de ter uma presença muito forte do Guggenheim na América Latina", diz Krens. "Nós não costumamos abandonar projetos, mas não estamos aguardando resolver a situação do Rio para concretizar isso." O acordo entre a fundação americana e a prefeitura do Rio para a criação do museu foi assinado em abril de 2003 e suspenso um mês depois. Uma sentença judicial considerou o negócio inconstitucional e prejudicial aos cofres da cidade. Entre os opositores, encontram-se políticos, artistas e arquitetos, que consideram o projeto inadequado para a realidade da cidade, que precisaria investir pelo menos US$ 130 milhões para construir o museu Guggenheim. Prioridades Segundo Krens, com a reeleição em outubro passado, o prefeito César Maia assegurou novamente que a construção do Guggenheim do Rio de Janeiro seria uma das prioridades de sua gestão. Mas o diretor está pessimista. Ele diz saber como podem demorar as decisões da Justiça brasileira. Neste momento, diz Krens, seria necessário encontrar um mecanismo apropriado para a situação política e judicial do Rio e, ao mesmo tempo, satisfatório para o Guggenheim. Maia, no entanto, demonstra não querer abandonar o desejo de que o Rio sedie o primeiro Guggenheim latino-americano. Fora dos Estados Unidos, o museu de Nova York tem filiais em Berlim (Alemanha), Bilbao (Espanha) e Veneza (Itália). "O prefeito tem manifestado seu interesse de levar o projeto adiante. Mas, não existe nada particularmente concreto neste momento", disse o responsável pela política de expansão do museu. "O projeto perdeu força. Quer dizer, antes existia a possibilidade real de êxito. Agora, isso está menos claro." Problemas no projeto Segundo o diretor da fundação Guggenheim, o projeto inicial desenvolvido pelo arquiteto francês Jean Nouvel teve problemas sérios de engenharia. Nouvel, que executou as obras do Instituto do Mundo Árabe, em Paris, e a Ópera de Tóquio, desenhou um museu que se parecia com um navio atracadado no porto do Rio de Janeiro. De acordo com Krens, a idéia de uma construção parcialmente submersa no mar, era muito complicada e, possivelmente, sairia cara demais. Agora, ele fala em um projeto mais modesto, do ponto de vista de engenharia e custos, que o tornaria mais estável, dentro de uma perspectiva política e social. Enquanto não há respostas concretas sobre a criação do museu mexicano e a questão judicial no Rio, Krens diz que são muitas as possibilidades de manter o trabalho do Guggenheim no Brasil. "Podemos ter uma relação com uma instituição que já existe, ou talvez reformar um espaço já existente", afirma o diretor. Segundo Krens, Maia sugeriu que o Guggenheim trabalhasse em colaboração com o Museu de Arte Moderna (MAM), trazendo exposições itinerantes para o Rio de Janeiro. Ele disse que esta possibilidade não está descartada. |
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