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Guggenheim de NY exibe obras-primas da arte moderna
O museu Guggenheim de Nova York inaugura nesta sexta-feira a mostra De Picasso a Pollock: Clássicos da Arte Moderna, com 130 obras de seu próprio acervo, um dos melhores do planeta em termos de arte do século 20. A exposição, que permanece em cartaz até o dia 28 de setembro, exibe uma poderosa e eclética antologia de 48 artistas, cuja produção cobre o período de 1910 a 1960. São obras-primas, entre outras, do escultor romeno Constantin Brancusi, do pintor russo Vasily Kandinsky e do americano Marc Rothko. Criado pelo pintor Joan Miró e executado pelo ceramista Josep Artigas, ambos espanhóis, o mural Alicia, uma obra abstrata permanente afixada numa parede à entrada da célebre rampa do Guggenheim, é ao mesmo tempo a vedete e o pretexto para a mostra. Nos últimos dez anos, para não interferir com o visual de exposições de outras fases e estilos, o museu decidiu manter o mural escondido atrás de uma parede. "Trata-se de uma obra de uma época bastante específica do trabalho de Miró", diz Lisa Denison, curadora da exposição. "Foi ótimo vê-la novamente e montar toda uma mostra ao seu redor, para colocá-la no contexto apropriado, da arte do século 20." Diálogo visual Uma das principais virtudes da exposição é estabelecer um diálogo visual entre o próprio prédio do Guggenheim, uma célebre construção redonda na Quinta Avenida, projetada na década de 1950 por Frank Lloyd Wright, o maior nome da arquitetura moderna americana, e a coleção do museu. É esse justamente o caso do mural Alicia, uma obra tardia de Miró, criada entre 1965 e 1967, com um soturno fundo cinza, as célebres garatujas de Miró em negro e pequenos toques de vermelho, amarelo e azul. O nome de Alicia, gravado como Alice, se revela em meio ao painel. "Dentro desse prédio nós mantemos a tradição de pedir aos artistas que criem obras de arte específicas para o museu", diz Denison. "São obras que podem ser exibidas apenas nesse lugar, em relação à sua arquitetura ou como uma interpretação dela. É por isso que essa peça (Alicia) é tão importante." Lirismo De Picasso, o maior e mais popular artista moderno, a exposição traz cerca de uma dezena de trabalhos, boa parte delas pertencente à fase cubista-analítica do pintor da década de 1910, marcada por tons pálidos e formas geométricas. Mas certamente o grande público se encantará, por outro quadro, com a pintura Mulher com Cabelo Amarelo, de 1931, em que o pintor espanhol deixou de lado seus arroubos cubistas para retratar, num tão econômico quanto sensual emanharado de curvas, uma jovem profundamente adormecida, evocando a arte de seu colega Henri Matisse. Já do pintor russo Vassily Kandinsky, o museu apresenta uma rara série de 12 aquarelas abstratas realizadas entre as décadas de 1910-1930, mostrando a transição do artista de uma arte figurativa em direção ao abstracionismo. Maior nome da arte expressionista abstrata, o americano Jackson Pollock, que encerra a exposição, comparece com dois quadros de pequenas dimensões. O melhor deles é Cinza Oceânico, de 1953, em que Pollock lida com uma espessa camada de tinta cinza, vermelha, branca e verde para executar formas arredondadas que se evocam o olho de um furacão. Entretanto, Pollock era um artista que precisava de grandes escalas para descarregar todo o furor e energia de sua pintura. É como se a exposição terminasse em tom menor, o que diante de tanto talento e variedade não chega a comprometer a prata da casa do Guggenheim. |
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