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Uruguai quer ‘mais e melhor Mercosul’, diz novo presidente | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O médico Tabaré Vázquez prestou juramento à Constituição do Uruguai nesta terça-feira, no início da cerimônia de posse em que assume o cargo de novo presidente do país. Em seguida, Vázquez discursou diante dos novos membros do Parlamento uruguaio e dos representantes de delegações estrangeiras, e afirmou que o seu governo está comprometido com o Mercosul e a integração regional. “O governo quer mais e melhor Mercosul”, disse Vázquez. “Um Mercosul ampliado, redimensionado e fortalecido, que será, por sua vez, uma plataforma mais sólida para uma melhor inserção internacional tanto do bloco como de todos os seus integrantes.” O presidente eleito uruguaio afirmou ainda que pretende desenvolver as relações do país com todas as outras nações latino-americanas e que espera dar um impulso às cúpulas ibero-americanas e a uma “rápida conclusão do tratado de associação com a União Européia”. Desfile O juramento de Vázquez foi acompanhado por representantes de 130 delegações, incluindo importantes líderes latino-americanos como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o venezuelano Hugo Chávez. “Juro desempenhar lealmente o cargo que me foi confiado e guardar e defender a Constituição da República”, declarou o presidente eleito do Uruguai. “Juro trabalhar incansavelmente pela felicidade do povo uruguaio.” Após o juramento e o discurso, Tabaré Vázquez saiu do Palácio Legislativo, em desfile militar, até o Palácio Independência, sede do governo uruguaio, onde receberia oficialmente a faixa presidencial. Durante o trajeto em carro aberto, o presidente eleito foi acompanhado por uma multidão, que acenava e exibia bandeiras do Encontro Progresista-Frente Ampla – coalizão de esquerda que lançou a candidatura de Vázquez à presidência. A estimativa do governo uruguaio era de que mais de 500 mil pessoas sairiam às ruas nesta terça-feira durante os eventos relativos à posse. Cerca de 2 mil membros das forças de segurança do Uruguai participam de operações de vigilância em Montevidéu. Primeiras medidas Uma das primeiras medidas do novo governo uruguaio será a retomada das relações bilaterais com Cuba. O governo cubano rompeu o diálogo com o antecessor de Vázquez, Jorge Batlle, em 2002, quando o Uruguai defendeu na Comissão de Direitos Humanos da ONU o envio de observadores a Cuba – o que causou profunda irritação em Fidel. Além disso, um dos primeiros projetos que Tabaré Vázquez deve enviar ao Parlamento é a proposta de criação do Ministério de Assuntos Sociais. O presidente eleito afirma que o novo órgão é “indispensável” para a aplicação do Plano de Emergência Social, uma proposta apresentada pela equipe de Vázquez para eliminar a “pobreza extrema” no país a um custo de US$ 100 milhões. Eleito no primeiro turno das eleições de novembro com mais de 50% dos votos, Tabaré Vázquez não só quebrou a hegemonia dos partidos conservadores Nacional (Blanco) e Colorado no poder como também conquistou a maioria no Congresso – com 52 dos 99 deputados e 16 dos 30 senadores. Consenso O apoio no Parlamento é o resultado de uma aliança de mais de 20 grupos políticos, incluindo de socialistas moderados a ex-guerrilheiros radicais, reunidos em uma coalizão batizada de Encontro Progressista-Frente Ampla. Apesar de derrotado nas eleições, o Partido Nacional anunciou na semana passada que está disposto a aceitar cargos no novo governo, embora defenda uma plataforma de oposição à Frente Ampla. De acordo com analistas, as diferenças entre os grupos que formam a base do governo podem representar um obstáculo para Vázquez. Mas, para evitar problemas, o presidente eleito tem buscado soluções de consenso. Uma delas foi a indicação do economista Danilo Astori para o cargo de ministro da Economia. Moderado e respeitado nos mercados, o futuro ministro teve sua nomeação apoiada inclusive pelos partidos de oposição – que assinaram um acordo a favor do programa econômico do governo do presidente eleito. Na quarta-feira, um dia depois da posse de Vázquez, Lula, Chávez e o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, se reunirão em um encontro privado em Montevidéu para reforçar os planos de integração dos líderes sul-americanos. |
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