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Atualizado às: 15 de fevereiro, 2005 - 11h08 GMT (09h08 Brasília)
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Garganta rasa
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Gerald Damiano era o frustrado dono de um salão de beleza no bairro de Queens, em Nova York. O sonho dele era fazer cinema.

Linda Lovelace era uma suburbana jeca que queria ser aeromoça e um dia abrir uma boutique.

Em 1972, os dois se cruzaram em Garganta Profunda, o primeiro filme pornô a romper todas barreiras de classes, raças e dólares.

Filmado por US$ 25 mil em seis dias na Flórida, a Garganta engoliu US$ 600 milhões – o filme mais lucrativo da história.

A Máfia ficou com tudo. Era tanta grana que os mafiosos não tinham tempo para contar. O dinheiro era empilhado, pesado e dividido.

Até a primeira-dama

Foi graças, em grande parte, a uma matéria do jornal New York Times, com o título Porno Chic, que a bilheteria do filme explodiu.

Até a viúva Jacqueline Kennedy foi fotografada saindo do cinema.

Fui assistir com minha mulher e ainda levei meus pais e um casal de tios que tinham vindo passar uns dias conosco.

Nunca tínhamos visto um pornô. Apesar dos protestos da tia, ficamos até o final. Saímos todos meio perplexos.

Os consevadores não digeriram o filme. Diretor, atores e donos de cinemas foram presos e levados a tribunais municipais, estaduais e federais.

Destruir a indústria ponográfica tornou-se uma das bandeiras do presidente Nixon, que ironicamente acabou renunciando graças a uma série de revelações de um misterioso informante apelidado "Deep Throat", que até hoje não foi identificado.

Com a saída de Nixon, o furor repressor perdeu o vigor.

A história do filme é bem contada no documentário Inside the Deep Throat ("Por Dentro da Garganta Profunda", em tradução livre), que acaba de ser lançado com cenas do original enriquecidas por depoimentos de Norman Mailer, Gore Vidal, Camille Paglia, Hugh Hefner, sexólogos, feministas e o pessoal envolvido com o filme.

O documentário é divertido, precioso nos detalhes e nas entrevistas, mas fica raso quando entra pelo terreno sociólogico e tenta comparar a repressão da década de 70 com a de hoje.

Arquivo - Lucas
Leia as colunas anteriores escritas por Lucas Mendes.
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