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Atualizado às: 20 de janeiro, 2005 - 09h43 GMT (07h43 Brasília)
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Zoellick pode mudar relação com Brasil no 2° mandato de Bush

Zoellick
Uma das mudanças mais significativas na relação entre Brasil e Estados Unidos durante o segundo mandato do presidente americano George W. Bush deve ocorrer por conta da nova função de Robert Zoellick.

Representante de comércio dos Estados Unidos na primeira fase do governo Bush, Zoellick foi indicado para um novo posto: subsecretário de Estado, uma espécie de vice na hierarquia do órgão que passa a ser comandado por Condoleezza Rice.

"O Zoellick conhece o Brasil, conhece os nossos anseios, as nossas preocupações, as dificuldades e as vantagens de negociar com o Brasil", afirma Rubens Barbosa, ex-embaixador brasileiro em Washington.

"Eu acho que o fato de ele estar lá significa um elemento adicional e importante de informação em relação ao Brasil", acrescenta o diplomata.

Avanços

O professor José Flávio Sombra Saraiva, diretor do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais (Ibri), também acredita que a presença de Zoellick na nova equipe de política externa de Bush cria uma boa oportunidade para o Brasil.

"Condoleezza Rice tratará da grande política internacional americana, e Robert Zoellick vai tratar de uma agenda de liberalização dos Estados Unidos", afirma Saraiva.

"Robert Zoellick é autêntico em suas convicções liberais, ao ponto de enfrentar as corporações americanas e o jogo dos subsídios americanos com sua nova função para facilitar o acesso dos nossos produtos em certas áreas", acrescenta o analista, que leciona na Universidade de Brasília (UnB).

Os Estados Unidos ocupam, com folga, o lugar de mais importante parceiro econômico-comercial do Brasil – gerando quase 30% do saldo comercial brasileiro.

Além disso, os americanos são a principal fonte de investimentos diretos no Brasil.

Alca

Apesar de expressar confiança na manutenção de uma "excelente" relação entre os dois países, o ex-embaixador Rubens Barbosa diz que a América Latina deve continuar fora da lista de prioridades do governo americano.

"Não vão ocorrer grandes mudanças. A América Latina, em geral, não é uma área prioritária para os Estados Unidos", diz o diplomata. "Os Estados Unidos têm na área externa uma agenda muito complexa, muito sobrecarregada, que passa pela guerra no Iraque e pela situação no Afeganistão e no Oriente Médio."

Barbosa afirma ainda que a criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) não deve avançar antes da conclusão das negociações da Rodada de Doha – iniciativa lançada na OMC (Organização Mundial do Comércio) para a liberalização do comércio global.

"Antes do final da negociação de Doha, dificilmente as negociações no âmbito hemisférico se concluirão", comentou o ex-embaixador. "Se conseguirmos avançar nos critérios que vão balizar essas negociações, isso será um elemento positivo."

Unilateralismo

Já para o diretor do Ibri, José Flávio Sombra Saraiva, o Brasil também pode tirar proveito das características que devem marcar a nova fase do governo de Bush nos Estados Unidos.

"O segundo mandato de um presidente americano é sempre menos preocupado com os meios e mais com os fins", diz Saraiva. "É possível perceber que o governo Bush terá uma agenda mais assertiva para seus interesses no hemisfério, com implicações relevantes para a política externa do Brasil."

De acordo com o professor de relações internacionais, a expressiva vitória de Bush nas eleições de novembro pode tornar o governo americano mais radical em suas políticas, mas isso não é necessariamente ruim para o Brasil.

"A política externa americana será mais clara, mais nítida, mais à direita e mais unilateral, mas é uma boa brecha para nós exigirmos e trabalharmos com eles aqueles valores que o seu unilateralismo defende, como a abertura dos mercados", afirma.

"Então, vamos ampliar a nossa pressão para que eles também atendam aos nosso interesses", conclui o diretor do Ibri.

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