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Bird negocia nova rota de recursos a projetos sociais no Brasil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A nova vice-presidente para a América Latina e o Caribe do Banco Mundial (Bird), Pamela Cox, disse nesta terça-feira que discutiu com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, como acelerar a liberação de recursos para programas sociais no Brasil. "Estamos trabalhando em novas maneiras e novos tipos de empréstimos para o governo", disse a representante da entidade. "Conversamos com o ministro Palocci e sua equipe sobre em que tipo de projetos e atividades o Banco pode trabalhar com o Brasil." De acordo com Vinod Thomas, diretor do Bird para o Brasil, o volume de novos empréstimos do órgão a iniciativas de desenvolvimento social no país pode chegar a US$ 2,2 bilhões em 2005. Durante entrevista coletiva em Brasília, a nova vice-presidente do Banco Mundial disse que uma das opções para tornar mais rápido o desembolso de recursos é negociar o apoio do Bird a projetos sociais já previstos pelo governo. "Se o governo tem um programa em seu orçamento, nós podemos participar e ajudar a manter esse programa", afirmou Pamela Cox. "O Banco pode conceder empréstimos para apoiar o orçamento do governo e, então, desembolsar o dinheiro mais rápido, em um ano ou dois." Fluxo negativo Em 2004, o Brasil recebeu US$ 1,4 bilhão do Banco Mundial, mas teve de desembolsar US$ 1,5 bilhão para quitar dívidas com a entidade – o que resultou em um fluxo negativo de recursos para o país no ano passado. O objetivo da discussão sobre novos empréstimos para políticas de desenvolvimento no Brasil é exatamente evitar que o resultado se repita neste ano. "Estamos acertando um programa de até U$ 2 bilhões, e esperamos que isso reduza o fluxo negativo", disse a vice-presidente do Bird. Pamela Cox citou o empréstimo de US$ 572 milhões ao programa Bolsa Família como exemplo da nova estratégia de ajuda ao Brasil. A liberação do dinheiro, já acertada entre o governo e o Bird, depende apenas da aprovação do Senado. De acordo com a vice-presidente do Banco Mundial, o empenho do órgão em colaborar com iniciativas do governo se justifica porque a entidade "reconhece e apóia" o esforço do Brasil em adotar a responsabilidade fiscal. Elogios a Palocci Durante a coletiva, a representante do Bird não economizou elogios à política econômica do governo Lula. "A equipe macroeconômica tem feito um trabalho muito bom no Ministério da Fazenda", disse. "Eles têm políticas muito sustentáveis e nós esperamos que continuem nessa direção." Pamela Cox afirmou que o Banco Mundial espera que o Brasil mantenha o ritmo de crescimento em 2005 em cerca de 5%, mas apontou possíveis obstáculos para o futuro da economia brasileira. "É difícil dizer o que aconteceria se houvesse um grande choque global, que poderia aparecer e afetar o Brasil. Mas, nesse momento, não vemos uma queda do crescimento", declarou a vice-presidente do Bird "A longo prazo, o Brasil compartilha as mesmas barreiras ao crescimento que muitos outros países da América Latina", acrescentou. "Um deles é a necessidade de continuar a investir em infra-estrutura. O outro é a desigualdade." Argentina Pamela Cox declarou ainda que o Banco Mundial está "satisfeito" com a tentativa da Argentina de renegociar a dívida do país com credores internacionais. A vice-presidente do Bird acrescentou que, caso a proposta argentina de renegociação não seja bem-sucedida, o Brasil deve ficar livre de efeitos negativos. "A economia argentina e a economia brasileira são diferentes", disse a representante do Banco Mundial. "O Brasil está relativamente isolado dos problemas argentinos." "É difícil dizer qual será o impacto se a Argentina não conseguir renegociar a dívida com seus credores", acrescentou Pamela Cox. "Imagino que isso criaria mais problemas para o avanço da Argentina do que para os outros países da região." |
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