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Análise: Série de ataques mina confiança na Arábia Saudita | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A série de ataques contra sauditas e trabalhadores estrangeiros nos últimos 18 meses tem afetado severamente a confiança da comunidade internacional na Arábia Saudita. O primeiro sinal de alerta foi disparado em 12 de maio de 2003 com atentados suicidas coordenados contra complexos residenciais ocupados por estrangeiros em Riad e atribuídos à organização Al-Qaeda. Os ataques deixaram 35 mortos, incluindo nove dos autores. Na época, o episódio foi descrito como o “11 de setembro” saudita. Um resultado foi que as autoridades do país se mobilizaram para dar os primeiros passos para se juntar à “guerra contra o terrorismo global” declarada pelos Estados Unidos. Seis meses depois, 17 pessoas foram mortas quando um outro complexo, desta vez ocupado por famílias árabes, sofreu um ataque a bomba, bem perto de um dos palácios reais da capital saudita. Mas, embora os sauditas tenham capturado mais de 600 supostos militantes islâmicos e matado ou prendido a maioria dos integrantes de uma lista de 29 procurados, ataques de aliados da Al-Qaeda continuaram e, em alguns aspectos, ganharam em sofisticação. Cerca de 170 pessoas, incluindo estrangeiros, agentes das forças de segurança e militantes, morreram na onda de violência. Intensificação O período em que os ataques foram mais intensos começou em 21 de abril deste ano, quando um militante suicida atacou um QG da polícia em Riad, matando quatro pessoas. Em 1º de maio ocorreu um ataque de militantes armados contra uma empresa petroquímica no porto de Yanbu, no Mar Vemelho, no qual foram mortos seis ocidentais e um saudita. Três dos autores do ataque aparentemente trabalhavam na empresa e usaram seus passes de entrada para ter acesso às vítimas, uma das quais teve que desfilar pelas ruas em um ritual macabro. A vítima seguinte foi um alemão, morto por militantes não identificados em uma rua de Riad. Depois, em Khobar, 22 civis foram mortos em um novo ataque. Os autores escaparam, passando por um cordão policial que, segundo especialistas em segurança, mostrou sinais de conluio entre sitiantes e sitiados. Desde então, houve uma série de ataques a tiros e emboscadas – incluindo um que causou a morte de um cinegrafista da BBC – mas nada na mesma dimensão do ataque em Khobar. Duas visões Há duas principais explicações a respeito do problema de segurança na Arábia Saudita. Autoridades sauditas insistem que se trata do último suspiro de um movimento que o governo fez de tudo para acabar, por meio de policiamento reforçado, inteligência de qualidade e ações contra a ideologia que dá origem a tais ataques. Em maio, autoridades disseram que seis células terroristas haviam sido identificadas nos 12 meses anteriores, com algo entre 25 e 30 integrantes em cada uma delas. Cinco delas já teriam sido eliminadas pelas forças de segurança. Mas a credibilidade dos sucessos proclamados pelo governo tem sido minada pela continuidade de ataques de pequena escala ligados a militantes islâmicos. Por exemplo, um irlandês foi morto em seu escritório em agosto, assim como um francês e um britânico, em setembro. O embaixador saudita na Grã-Bretanha, príncipe Turki al-Faisal, que já foi chefe dos serviços de segurança do país, disse à BBC que seria muito difícil erradicar totalmente o movimento. “Estas pessoas estão dispostas a se matar para conseguir seus objetivos!”, disse Al-Faisal. “É praticamente impossível impedi-los totalmente de realizar suas ações.” Ódio Outra explicação afirma que a Arábia Saudita é incapaz de lidar com o forte sentimento de ódio e irritação com o Ocidente alimentado pela invasão americana no Iraque e pelo conflito israelo-palestino. O ex-agente da CIA Robert Baer diz que os assassinatos de trabalhadores estrangeiros em Khobar, o coração da produção saudita de petróleo, tiveram o objetivo de mandar uma mensagem direta para a Opep, o cartel de países exportadores de petróleo. Segundo ele, os militantes estavam dando vazão ao descontentamento de muitos sauditas em relação aos planos do governo de aumentar a produção e baixar os preços do petróleo, em especial para ajudar a economia americana. E Baer não descarta que ataques muito mais danosos ocorram no futuro. “A estrutura de produção de petróleo da Arábia Saudita é vulnerável, e um esforço determinado poderia anular uma das unidades de produção”, diz ele. E, mesmo que os ataques fiquem restritos a operações concentradas de pequeno porte, eles já estão colocando um freio no investimento estrangeiro no reino. Portanto, a economia do país já vem sofrendo, ainda que nenhuma instalação petrolífera tenha sido atingida. |
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