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Especialistas suspeitam de conluio em ataque na Arábia Saudita | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O aspecto mais obscuro do ataque em Khobar, na Arábia Saudita, em que morreram 22 pessoas, é a suspeita de conluio entre atacantes e as forças de segurança. Especialistas em terrorismo disseram à BBC News Online que ficaram surpresos pela facilidade com que três dos quatro atacantes conseguiram escapar do complexo Oasis, em Khobar, apesar da esmagadora superioridade numérica e das vantagens táticas e logísticas das forças de segurança. Se for verdade, a existência de um conluio entre atacantes e as pessoas que deveriam prendê-los seria muito perturbadora. O embaixador saudita na Grã-Bretanha, príncipe Turki Al-Faisal – que foi chefe dos serviços de inteligência sauditas – descarta essa teoria, argumentando que os atacantes escolhem alvos mais fáceis e que, se eles realmente tivessem ajuda de autoridades, seriam capazes de atacar alvos de muito maior destaque, causando "destruição terrível". Como qualquer militante sabe, só é preciso matar uma pessoas para aterrorizar mil. Penetrar um complexo em Khobar, como fizeram, é o bastante para fazer com que cada um dos trabalhadores estrangeiros reavalie sua posição no reino. Confiança Outro ataque sangrento na Arábia Saudita significa outro ataque pesado na confiança internacional em relação a esse reino rico em petróleo. Muitas perguntas surgem com o incidente em Khobar: sobre a segurança de trabalhadores estrangeiros, a habilidade do governo de combater a violência islâmica extremista e até mesmo sobre a estabilidade futura da economia mundial. De forma ainda mais preocupante, a freqüência de ataques de militantes na Arábia Saudita parece estar aumentando. No dia 12 de maio de 2003, o reino foi despertado por ataques suicidas coordenados em três complexos residenciais para estrangeiros na capital, Riad, deixaram 35 pessoas mortas, inclusive os nove suicidas. Sofisticação Naquela época, os ataques foram descritos como o "11 de setembro" do reino, estimulando as autoridades sauditas, aos olhos do governo Bush, a adotarem as primeiras medidas sérias para se juntar aos Estados Unidos na "guerra global ao terrorismo". No entanto, embora os sauditas tenham prendido mais de 600 suspeitos e matado alguns homens de uma lista de procurados que chegou a conter 29 nomes, os ataques de filiados à organização Al-Qaeda continuaram e – em alguns aspectos – ganharam sofisticação. Em 8 de novembro, 17 pessoas morreram quando outro complexo, desta vez um para famílias árabes, foi atingido – bem na porta de um dos palácios reais de Riad. O período mais longo de ataques começou em 21 de abril de 2004, quando uma das delegacias de polícia em Riad sofreu um ataque suicida em que quatro pessoas foram mortas. Depois houve um tiroteio em uma empresa petroquímica, em 1º de maio, no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, que deixou seis ocidentais e um saudita mortos. Três dos atacantes aparentemente trabalhavam na empresa e usaram seus passes de entrada para ter acesso às vítimas. Uma delas foi exibida pelas ruas, dentro de um ritual terrível que parece ter se repetido na atrocidade mais recente.
Há apenas uma semana, um cidadão alemão foi morto a tiros por pessoas não identificadas em uma rua de Riad. Último suspiro Há duas linhas de pensamento em relação aos problemas de segurança da Arábia saudita. Autoridades sauditas insistem que esse é o último suspiro de um movimento que o governo já fez tudo para fechar por meio de forte policiamento, bom trabalho de inteligência e restrição da própria ideologia que produz esses ataques. Autoridades dizem que foram identificadas seis células terroristas no ano passado, formadas por 25 a 30 membros cada uma. Segundo as autoridades, cinco das seis foram destruídas pelas forças de segurança. No entanto, o príncipe Turki Al-Faisal disse à BBC que será difícil erradicar o movimento completamente. "Essas pessoas estão preparadas para tirar as próprias vidas para alcançar seus objetivos. É praticamente impossível evitar totalmente que elas façam o que querem", disse ele. Raiva e ódio Outra linha diz que a Arábia Saudita é incapaz de suprimir a onda maciça de raiva e ódio contra o Ocidente, gerada pela invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos e pelo conflito entre Israel e Palestina, e que leva a esses ataques. O escritor e ex-agente da CIA Robert Baer, por exemplo, diz que os assassinatos de trabalhadores estrangeiros em Khobar – coração da área de produção de petróleo saudita – têm o objetivo de mandar uma mensagem aos países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) que se reúnem em Beirute, nesta semana. Ele diz que os militantes estão exprimindo o descontentamento de muitos sauditas comuns em relação aos planos do governo de aumentar a produção para baixar os preços mundiais de petróleo, especialmente para ajudar a economia dos Estados Unidos. E ele não descarta novos ataques no futuro.
"Esse ataque recente não afetou o fornecimento de petróleo, mas as instalações petrolíferas da Arábia Saudita são vulneráveis e um esforço determinado poderia suspender o funcionamento de uma dessas instalações", diz Baer. E mesmo que os ataques sejam restritos a alvos escolhidos, como Khobar, eles estão impedindo a entrada de investimentos e tornando mais cara e mais difícil a entrada de novas tecnologias. Então, o país já está sofrendo economicamente, mesmo que nenhuma instalação petrolífera tenha sido atingida. |
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