|
Fundo de combate à Aids sobreviverá mesmo sem Bush, diz Teixeira | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Fundo Global de Combate a Aids, Tuberculose e Malária vai ganhar fôlego em 2005 e pode fazer muito para conter a epidemia de Aids nos países em desenvolvimento - mesmo sem nenhuma parcela dos US$ 15 bilhões prometidos no ano passado para a luta contra a Aids pelo presidente americano, George W. Bush. Esta é a opinião do ex-diretor do Programa Brasileiro de Aids, Paulo Teixeira. Em entrevista à BBC Brasil, Teixeira, hoje funcionário do programa de saúde do governo de São Paulo e consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou que a verba atual do fundo, de US$ 5,6 bilhões, é suficiente para abastecer a primeira fase dos programas de combate à Aids nos países em desenvolvimento. "Quando estivermos em pleno processo de tratamento de todas as pessoas que têm necessidade no mundo, e também prevenção e apoio a outras pessoas afetadas, estima-se que o mundo vai precisar de cerca de US$ 10 bilhões ao ano. Mas ainda não estamos nesta etapa." Segundo Paulo Teixeira, o governo Bush não pretende liberar os US$ 15 bilhões para o fundo, mas sim para programas bilaterais de combate à Aids. Abstinência "Esse dinheiro se refere a projetos bilaterais nos países que o governo dos Estados Unidos identificar como, digamos, merecedores", afirmou Teixeira, ressaltando que o processo está caminhando lentamente. "O que nós esperamos é que as negociações caminhem rapidamente e, principalmente, que não haja condições que prejudiquem a luta contra a Aids, como restrições a distribuição de preservativos", completou Teixeira, que integra a comissão criada pelo diretor-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, para avaliar a Aids e a governabilidade na África. Ativistas e profissionais de saúde temem que o governo Bush queira usar o dinheiro para financiar programas conservadores que preguem, por exemplo, a abstinência sexual como forma de combater a Aids. Doenças O Fundo Global de Combate a Aids, Tuberculose e Malária foi concebido pelo secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, como um meio de combater as doenças que mais matam no mundo. O fundo é financiado por doadores privados e governos dos países ocidentais. Embora o destino do investimento americano – que foi saudado com elogios ao ser anunciado por Bush em 2003 – não seja os cofres do fundo global, Paulo Teixeira mostrou-se otimista sobre a contribuição. "Ao se cumprir o compromisso americano, não tenho a menor dúvida de que fará, junto com as ações do Banco Mundial e de outras agências, uma diferença substancial", completou o assessor da OMS. Brasil Paulo Teixeira também rebateu as críticas do programa da ONU para o combate à Aids (Unaids), de que a política brasileira de redução de riscos estaria acarretando um aumento dos casos de contaminação de usuários de drogas. "O Brasil iniciou em âmbito e em ordem nacional o programa de redução de danos em 1995 e desde então, todos os projetos têm se expandido. Sem exceção, todos têm sido bem-sucedidos em relação aos seus objetivos", afirmou Teixeira. Segundo Teixeira, prevenir a Aids entre os usuários de drogas é um grande obstáculo em todos os países do mundo, inclusive os países ricos. Para ele, as críticas da ONU ao Brasil se devem a algum mal-entendido entre as políticas para usuários de drogas e de combate e prevenção à Aids. "Não tenho como explicar essa afirmação de outra forma, e, certamente, a coordenação nacional, por intermédio de Pedro Chequer, vai pedir as explicações necessárias." Genéricos O assessor da OMS também se disse otimista em relação ao uso de medicamentos genéricos no combate à Aids. Ele diz que um novo levantamento, a ser concluído no ano que vem, já deve trazer um aumento substancial no número de pessoas sendo tratadas com antiretrovirais em todo o mundo. Atualmente, pouco mais de 7% (ou 440 mil pessoas) dos que precisam de remédios têm acesso ao coquetel nos países em desenvolvimento. A OMS pretende levar tratamento a até 3 milhões de pessoas em 2005 - iniciativa conhecida como "3 por 5". "Neste momento, a OMS está estimulando os países a iniciar os tratamentos com os genéricos que já estão disponíveis e a longo prazo vamos caminhar para a introdução de novos medicamentos. Isso já faz uma diferença enorme." Para Teixeira, o próximo passo será envolver a indústria farmacêutica no processo para que os preços de remédios usados no tratamento de HIV-positivos caiam. A partir dos resultados dessa primeira fase, acredita Teixeira, será mais fácil alavancar recursos internacionais para o combate à Aids. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||